Suspeitos de integrar gangues são alvo de linchamento no Haiti
Ao menos 12 pessoas morreram após serem atacados por uma multidão em Porto Príncipe, capital do país. País segue convulsionado por confrontos entre grupos armados em busca de controle da região


Ao menos 12 pessoas foram linchadas por uma multidão na capital do Haiti, Porto Príncipe, por suspeita de serem membros de gangues, segundo as autoridades.
Um vídeo da Reuters e da AFP mostrou corpos queimados e carbonizados com pneus ao redor e uma multidão se formando perto da área. Moradores que falaram pelas câmeras disseram acreditar que as vítimas eram membros de gangues.
“Eram 3 da manhã. As gangues nos invadiram. Houve tiroteio, tiroteio. Este bairro é uma área pacífica, todas as pessoas nas proximidades são cidadãos pacíficos”, disse um morador local à AFP.
Antes do assassinato, a Polícia Nacional do Haiti havia parado e revistado as vítimas em um microônibus no bairro de Canape-Vert, apreendendo armas e outros equipamentos, segundo um comunicado da Polícia Nacional do Haiti.
“Mais de uma dezena de indivíduos a bordo deste veículo foram, infelizmente, linchados por membros da população”, diz o comunicado.
“Se as gangues vierem nos invadir, nos defenderemos, temos nossas próprias armas, temos nossos facões, pegaremos suas armas, não fugiremos”, disse à AFP um morador haitiano de 15 anos.
“Não pedimos muito. Os bandidos invadiram a área. Queremos que a polícia vá na frente e os enfrente. Estamos por nossa conta. Não temos nada”, disse outro. O morador acrescentou que supostos membros de gangues “invadiram” o bairro na manhã de segunda-feira, por volta das 2h.
Em um tweet, o primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, aplaudiu a polícia haitiana na segunda-feira por operações recentes para restaurar “a ordem e a paz em nossas cidades e bairros”.
“Juntos, resolveremos os problemas relacionados à segurança para seguir em frente”, escreveu Henry
As gangues controlam grandes áreas de Port-Au-Prince, atormentando os moradores com extrema violência, enquanto os haitianos também lutam contra a pobreza extrema e uma crise humanitária.