Submarino: correntes fortes tornam águas ao redor do Titanic perigosas; entenda
Correntes oceânicas estão associadas à movimentação de grandes volumes de água


As intensas operações de busca pelo submarino Titan prosseguem nesta quarta-feira (21). A ação, que conta com a participação dos Estados Unidos, do Canadá e da França, é uma corrida contra o tempo.
O submersível, transportando cinco pessoas para observar os destroços do Titanic no fundo do Oceano Atlântico Norte, conta com menos de 24 horas de ar respirável. Permanece incerto o que aconteceu com a embarcação e como ela perdeu contato com as tripulações na superfície.
O submersível Titan, da Oceangate, foi projetado para a profundidade máxima de 4 mil metros. Os destroços remanescentes do naufrágio do Titanic, em 1912, estão a cerca de 3,8 mil metros.
As correntes oceânicas tiveram um papel importante no desastre do Titanic, ao contribuir para a presença de gelo marinho e icebergs na área onde ocorreu a colisão, no Atlântico Norte. Por outro lado, as correntes podem ter ajudado o navio de resgate Carpathia a navegar diretamente para os botes salva-vidas do Titanic. Os dados são de um estudo de 2018, publicado no periódico Weather.
Da mesma forma, é possível que o submersível da empresa OceanGate também tenha sido afetado pelas correntes marítimas. A região do Atlântico Norte sofre com influências de fortes correntes marítimas.
Formação de correntes
Os ventos globais arrastam a superfície da água, fazendo com que ela se mova e se acumule na direção em que o vento está soprando, como descreve a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em inglês), dos Estados Unidos.
A rotação da Terra resulta no efeito Coriolis, que também influencia as correntes oceânicas. Semelhante a uma pessoa tentando andar em linha reta em um carrossel giratório, os ventos e as águas do oceano são desviados de um caminho em linha reta enquanto viajam pela Terra em rotação.
Esse fenômeno faz com que as correntes oceânicas no hemisfério Norte se desviem para a direita e no hemisfério Sul para a esquerda. Segundo a NOAA, essas grandes espirais de correntes que circulam o oceano são chamadas de “giros” e ocorrem ao Norte e ao Sul do Equador.
As correntes oceânicas são impulsionadas por fatores como ventos, a densidade da água e as marés. As características costeiras e do fundo do mar influenciam sua localização, direção e velocidade.
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O submarino da operadora de turismo OceanGate desapareceu no último domingo (18) depois de uma expedição aos destroços do Titanic, na costa de St John’s, Newfoundland, no Canadá. Destroços da embarcação foram encontrados na quinta-feira (22). As cinco pessoas que estavam a bordo morreram (veja na sequência). • OceanGate
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Entre os mortos estava o milionário Shahzada Dawood, empresário paquistanês e curador do Instituto Seti (foto), organização de pesquisa na Califórnia. Seu filho, Sulaiman Dawood, também estava na embarcação. • Engro
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O bilionário britânico e dono da Action Avision, Hamish Harding, morador dos Emirados Árabes Unidos, também está entre os mortos no acidente. • Engro
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Outro nome que estava na embarcação era o do aventureiro e mergulhador Paul-Henri Nargeolet • Engro
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O quinto passageiro a bordo do submersível com destino aos destroços do Titanic era Stockton Rush, CEO e fundador da OceanGate, empresa que liderou a viagem • Reprodução
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Nesta imagem, todos os falecidos, a partir da esquerda: Hamish Harding, Shahzada Dawood, Suleman Dawood, Paul-Henri Nargeolet e Stockton Rush Obtido • Reprodução/CNN
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Um submersível, como Titan, é um tipo de embarcação – mas tem algumas diferenças importantes em relação ao submarino mais conhecido. Ao contrário dos submarinos, um submersível precisa de uma embarcação para lançá-lo. O navio de apoio do Titan era o Polar Prince, antigo navio quebra-gelo da Guarda Costeira canadense, de acordo com o co-proprietário do navio, Horizon Maritime. • Arte CNN
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A expedição começou com uma jornada de 740 quilômetros até o local do naufrágio, que fica a cerca de 1448 quilômetros da costa de Cape Cod, Massachusetts, nos EUA. Mas perdeu contato com uma tripulação do Polar Prince, navio de apoio que transportou a embarcação até o local, 1 hora e 45 minutos após a descida no domingo (18). • Reprodução
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Segundo o correspondente da CNN Gabe Cohen que visitou o veículo Titan fora da água em 2018, o submersível é uma embarcação minúscula, bastante apertada e pequena, sendo necessário sentar dentro dele sem sapatos. Ele é operado por controle remoto, muito similar a um controle de PlayStation. • Reuters
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O submarino tinha como objetivo levar os três turistas aos destroços do Titanic (foto) para turismo subaquático. • Woods Hole Oceanographic Institution/Reuters
Correntes oceânicas profundas
As diferenças na densidade da água, resultantes da variabilidade da temperatura da água e da salinidade, também provocam as correntes oceânicas.
De acordo com a NOAA, em regiões frias, como o oceano Atlântico Norte, a água perde calor para a atmosfera e torna-se fria e densa. Quando a água do oceano congela, formando gelo marinho, o sal é deixado para trás, fazendo com que a água do mar em volta se torne mais salgada e densa. A água densa, fria e salgada desce para o fundo do oceano.
A água da superfície flui para substituir a água que está afundando, que por sua vez se torna fria e salgada o suficiente para afundar. Esse processo “inicia” a correia transportadora global, um sistema conectado de correntes profundas e superficiais que circulam ao redor do globo em um período de 1.000 anos, segundo a agência norte-americana.
A viagem ao fundo do mar da OceanGate Expeditions tem como base Newfoundland. Os participantes são conduzidos por outra embarcação até o local do naufrágio do Titanic, que fica a cerca de 1.450 quilômetros da costa de Cape Cod, em Massachusetts, nos EUA.
A região do Atlântico Norte, onde se encontra o submarino, sofre a influência de diferentes correntes marítimas. Entre elas, estão a Corrente de Labrador, que flui do Oceano Ártico para o Sul e a Corrente do Golfo, que se origina no Golfo do México, sai pelo Estreito da Flórida e segue a costa Leste dos EUA. Segundo a NOAA, ela viaja a velocidades de 1,85 a 5,55 quilômetros por hora.
A correntes oceânicas estão associadas à movimentação de grandes volumes de água.