Com 2º lugar indefinido no Equador, Justiça eleitoral reconta atas de votação
Ativista indígena Yaku Pérez aparece 52 mil votos à frente do banqueiro Guillermo Lasso na disputa presidencial; esquerdista Andrés Arauz já está no 2º turno


O candidato de esquerda Andrés Arauz continua à espera da definição de quem será seu adversário no segundo turno da eleição presidencial do Equador, previsto para 11 de abril.
Com 98,15% das urnas apuradas, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país ainda não foi capaz de determinar quem ficou em segundo lugar: o banqueiro Guillermo Lasso ou o ativista indígena Yaku Pérez.
Pérez lidera a disputa com 1.662.046 votos (20,12%) contra 1.609.113 (19,48%) de Lasso. Arauz abriu uma confortável vantagem e obteve 2.646.342 (32,04%).
Para vencer em primeiro turno, algum dos candidatos precisava obter mais de 50% dos votos válidos ou 40% e 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado.
Na noite de segunda-feira (8) Pérez disse que sua votação em três províncias estava bem atrás da contagem de votos para seu partido na definição do Parlamento na mesma região, o que ele descreveu como evidência de adulteração de votos. Ele não apresentou, no entanto, evidências de fraude.
“Abram as urnas em Manabi, Guayas e Pichincha”, disse Pérez em entrevista coletiva, referindo-se às três províncias, acompanhados por apoiadores que gritaram “democracia sim, fraude não”.
Na segunda-feia, o CNE afirmou que cerca 13% das atas eleitorais (aproximadamente 5 mil) mostravam algum tipo de inconsistência, e teriam de ser revisadas depois que todos os votos fossem contados.
Nesta terça-feira, esse número foi reduzido para 9,45% (3.778 atas), segundo o site oficial em que o CNE divulga a apuração da votação.
Impacto na economia
Apesar da indefinição na apuração, os preços da dívida equatoriana permaneceram estáveis, uma vez que os mercados financeiros já haviam precificado a passagem da Arauz para a próxima rodada.
Arauz desencadeou uma liquidação de títulos em janeiro, dizendo que se recusaria a reconhecer um pacote de financiamento de US$ 6,5 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas os preços subiram na semana passada, depois que o esquerdista disse aos investidores que de fato renegociaria o acordo.

“Achamos que a disposição da Arauz em cooperar com o FMI e buscar um novo acordo é bastante positiva”, disse Carlos de Sousa, gerente de carteira de dívida de mercados emergentes da Vontobel Asset Management.
“Esperamos que Arauz seja consideravelmente mais pragmático do que o mercado pensava inicialmente.”
O título da dívida de 2040 do Equador aumentou cerca de 9% na semana passada, de acordo com dados da Refinitiv.