“Realidade é muito complexa. Há variáveis que não controlamos”, diz embaixador do Brasil no Egito sobre brasileiros em Gaza
Expectativa era que a fronteira fosse aberta na madrugada desta segunda-feira (16), mas autoridades ainda não chegaram a um acordo


Responsável por acompanhar as negociações com o Egito sobre a retirada de brasileiros da Faixa de Gaza, o embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto disse à CNN que a realidade sobre a abertura da passagem de Rafah ainda é muito complexa e envolve variáveis que não são controláveis.
Na madrugada desta segunda-feira (16), circulou a informação de que a fronteira seria aberta. A autorização para a evacuação de estrangeiros pelo território egípcio, no entanto, não se concretizou.
“A realidade ainda é muito complexa. Há muitas variáveis que, obviamente, nós não controlamos”, afirmou o embaixador.
A Embaixada do Brasil fica no Cairo, mas, neste momento, o embaixador e uma equipe de quatro pessoas se deslocaram para a Ismaília, a 250 quilômetros de Rafah. Eles vão acompanhar as tratativas e dar suporte à remoção dos brasileiros de Gaza.
Neste momento, o Brasil trabalhar para retirar da área de conflito um grupo de 32 pessoas. São 22 brasileiros, sete palestinos com visto temporário ou de autorização de residência no Brasil e três palestinos parentes desses brasileiros.
Essas pessoas estão na cidade de Rafah e também em Khan Yunis, no Sul de Gaza. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) aguarda em Roma, na Itália, para decolar a qualquer momento para o Cairo.
“Nossa prioridade absoluta é retirar os brasileiros, mas para eles e outros cidadãos estrangeiros possam sair de Gaza tem que haver um entendimento entre três atores fundamentais: Israel, Egito e as autoridades de fato em Gaza, que é o Hamas”, disse o embaixador.
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As negociações são para a saída de estrangeiros, a chegada de ajuda humanitária em Gaza e para a libertação de reféns israelenses em poder do Hamas.
“São três aspectos que estão evidentemente vinculados um ao outro. As coisas só acontecerão se tudo isso acontecer ao mesmo. Essa é a percepção que se tem no Egito e entre as pessoas que estão acompanhando mais de perto”, destacou o diplomata.
Outro ponto sensível da negociação é que o Egito teme receber um fluxo desorganizado e muito grande de refugiados palestinos.
Ao longo do fim de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou pessoalmente nas negociações. Ligou para a autoridade Palestina Mahmoud Abbas, para o presidente de Israel, Isaac Herzog e também para o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi.