Polícia de Hong Kong invade museu que homenageava vítimas da Praça da Paz Celestial
Nesta quarta-feira (8), a polícia prendeu quatro membros de um grupo que organiza atos e manifestações em homenagem às vítimas da repressão


A polícia de Hong Kong invadiu nesta quinta-feira (9) as instalações de um museu dedicado às vítimas da repressão chinesa de 1989 contra os manifestantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, e nos arredores.
A operação aconteceu horas depois de um grupo de ativistas pró-democracia se declarar culpado de participar intencionalmente de uma assembleia não autorizada durante o aniversário de 4 de junho do ano passado, quando as manifestações foram proibidas pela polícia devido ao coronavírus.
A vigília de 2021 também foi proibida por motivos semelhantes. O motivo da invasão ao museu não está claro. A polícia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
No entanto, policiais foram vistos transportando peças do museu para um caminhão, incluindo o logotipo e uma foto de uma vela acesa.
Nesta quarta-feira (8), a polícia prendeu quatro membros da Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos na China, o grupo que organiza os comícios anuais, incluindo a vice-presidente Chow Hang Tung.
A polícia enviou uma carta à aliança em agosto solicitando informações sobre seus membros, finanças e atividades até o dia 7 de setembro, de acordo com uma cópia que o grupo enviou a repórteres.
A carta acusava a aliança de ser “um agente de forças estrangeiras”. O grupo informou então que não forneceria as informações solicitadas. As prisões desta quarta-feira foram por não cumprimento dos requisitos da lei de segurança nacional.
Em agosto, o grupo disse que o museu, que fechou em 2 de junho devido a uma investigação do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental sobre o licenciamento, reabriu online como “Museu 8964”. O museu online opera independentemente da aliança, relatou o grupo.

Os líderes da aliança Albert Ho e Lee Cheuk-yan já estão na prisão por seus papéis em protestos antigovernamentais que agitaram a cidade em 2019.
A ex-colônia britânica, que retornou ao domínio chinês em 1997 com a promessa de que suas amplas liberdades permaneceriam intactas, tradicionalmente realiza a vigília de 4 de junho para homenagear as vítimas da repressão.
A China continental proíbe comemorações e censura fortemente o assunto. As autoridades chinesas nunca forneceram um relato completo da repressão de 1989.
O número de mortos informado por oficiais foi de cerca de 300, a maioria soldados, mas grupos de direitos humanos e testemunhas dizem que milhares de pessoas podem ter sido mortas.
As autoridades de Hong Kong negaram repetidamente a restrição dos direitos humanos e das liberdades na cidade e dizem que a aplicação da lei foi baseada em evidências e não tem nada a ver com os antecedentes, profissão ou crenças políticas dos presos.
(Com edição de Lincoln Feast, da Reuters)