Partido Comunista chinês chega aos 100 anos, e Xi deve ser a estrela principal
Comemorações do centenário devem focar no líder mais forte do país desde Mao


Cem anos atrás, em uma pequena casa de tijolos na antiga Concessão Francesa em Xangai, Mao Zedong e cerca de uma dúzia de outros participantes se reuniram em segredo para formar um novo partido político.
Muito mudou desde 1921, mas o Partido Comunista Chinês, que hoje tem mais de 95 milhões de membros, o equivalente a quase 7% de toda a população do país, continua presente –mesmo com partidos comunistas em outros países colapsando e desaparecendo de vista.
Enquanto o partido se provou disposto à se adaptar e mudar em momentos cruciais para garantir sua sobrevivência (para comparação, o partido da União Soviética durou 93 anos antes do colapso do regime comunista em 1991), ele continua alerta dos riscos que enfrenta, de uma economia desacelerando, uma população envelhecendo e uma força de trabalho reduzindo, contra um Ocidente que se une cada vez mais para enfrentar sua ascensão.
Neste contexto, o centenário, que acontece oficialmente em 1º de julho, é uma oportunidade para o partido reafirmar as credenciais e garantir lealdade.
“Como você prova que é o governo legítimo da China? Fazendo um grande show para lembrar as pessoas do que você as deu. Você as ergueu da pobreza, as deu crescimento econômico e restaurou a China como um ponto central do mundo”, disse Graeme Smith, da Universidade Nacional da Austrália, à CNN.
De fato, por semanas, a mídia estatal está saturada de imagens exaltando as virtudes do partido e os numerosos sucessos dele. Grande parte da capital, enquanto isso, está sob segurança aumentada, para uma celebração de grande escala da história da organização, com fogos de artifício e um discurso do líder principal da China, Xi Jinping.
É provável que grande parte dos eventos do dia foquem em Xi, provavelmente o líder mais poderoso do país desde Mao, e a visão dele para o país.
Sob Xi, o partido consolidou o controle de setores e indústrias essenciais, enquanto apertou o comando sobre a vida cotidiana dos cidadãos. Como o próprio Xi disse durante o 17º Congresso do Partido em 2017, “ao leste, ao oeste, ao sul e ao norte, o partido lidera tudo”.
Embora o partido tenha muito a comemorar, particularmente o crescimento da China, de uma das nações mais pobres do mundo a uma economia que está quase ultrapassando a dos Estados Unidos, é também responsável por alguns dos capítulos mais sombrios do último século, incluindo a repressão brutal de estudantes que protestavam na praça Tiananmen, a década de caos sob a Revolução Cultural do ex-presidente Mao Zedong, e os milhões que morreram de fome como resultado das diretrizes econômicas desastrosas do CCP (Partido Comunista Chinês).
Esses incidentes não devem estar entre as memórias resgatadas nesta quinta-feira, já que são minimizadas ou simplesmente censuradas no país. No entanto, isso não quer dizer que serão esquecidas.
Independentemente do partido gostar, o centenário também fornece uma oportunidade para que o mundo refletir sobre a organização, cujo poder e alcance se estendem muito além das fronteiras.
A influência do partido em organizações globais, incluindo as Nações Unidas, o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde está crescendo, e muitas nações ocidentais se apoiam fortemente na China para crescerem economicamente.
A continuidade da trajetória crescente do Partido Comunista está longe de ser uma certeza. Mas para o bem ou para o mal, o que quer que faça –e quanto vai durar–, o impacto provavelmente será sentido em todo o mundo.
(Texto traduzido, leia o original em inglês)