“No fundo, ninguém sabe como parar Vladimir Putin”, diz pesquisador
Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, Kai Enno Lehmann chama a atenção para a "impotência" do Ocidente diante da invasão russa à Ucrânia
Especialista em política europeia, o pesquisador Kai Enno Lehmann, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, afirma que as nações do Ocidente ainda não têm um plano claro para conter o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Lehmann falou à CNN na noite desta quinta-feira (24).
Na madrugada desta quinta, Putin autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência). Segundo o governo ucraniano, os ataques já deixaram pelo menos 137 pessoas mortas e outras 316 feridas.
“O que chama a atenção, para mim, nos últimos dias e semanas, é a impotência que parece que o Ocidente tem diante dessa situação. Quer fazer muitas coisas, a gente fala muito sobre sanções, entrega de armas e tudo mais, mas, no fundo, ninguém sabe, exatamente, como parar Vladimir Putin”, adverte.
Lehmann diz que Putin deu, ao longo das últimas décadas, sinais claros sobre sua personalidade autoritária e sobre seu desejo de expansão no Leste Europeu. “Ele já fez intervenções na Geórgia e já anexou a Crimeia”, lembra.
“Tem uma expressão na Inglaterra que diz: ‘se alguém te mostra quem ele é, acredite da primeira vez’. E Putin mostra há 25 anos quem ele é. E, pelo jeito, a gente não acreditou”, acrescenta o professor.
O pesquisador destaca ainda que “em alguns aspectos, guerras ajudam líderes autoritários a se sustentarem no poder”.
Por fim, Lehmann ressaltou que a Europa, e, em especial, o Leste Europeu, tem um histórico extenso de grandes conflitos armados ao longo da história. “Eu sempre falo para meus alunos: os últimos 80 anos na Europa, em termos históricos, foram a exceção, e não a regra. Em muitos aspectos, nós estamos, pelo visto, voltando à regra, e não à exceção. [Um período de] 80 anos de paz, sem interrupção, é algo que, na Europa, não existia. E aqui estamos mais uma vez falando sobre guerras e conflitos armados.”
(Veja a entrevista completa no vídeo acima)
