Mykolaiv, no sul da Ucrânia, tenta prender quem colabora com russos
Cidade, que foi bombardeada durante a invasão russa, fica perto de Kherson, onde a Ucrânia planeja realizar uma contra-ofensiva
A cidade de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, vai impor um toque de recolher do final desta sexta-feira (5) ao início da manhã de segunda-feira (8), enquanto as autoridades tentam prender pessoas que colaboram com a Rússia, disse o governador da região.
Mykolaiv, que foi bombardeada durante a invasão russa que começou em 24 de fevereiro, fica perto de partes ocupadas pelos russos na região estrategicamente importante de Kherson, onde a Ucrânia planeja realizar uma contra-ofensiva.
Vitaliy Kim, governador da região de Mykoliav, disse aos moradores que o toque de recolher começar às 23h (horário local) desta sexta e ir até às 5h de segunda não significava que a cidade estava sob ameaça ou enfrentando um ataque iminente.
“Não há sinal de cerco. A cidade estará fechada no fim de semana. Por favor, seja compreensivo. Também estamos trabalhando em colaboradores. Os distritos passarão por verificações”, disse Kim no Telegram.
Ucrânia diz que foi forçada a ceder território no leste do país
A Ucrânia disse nesta quinta-feira (4) que foi forçada a ceder parte do território no leste do país diante de uma ofensiva russa, e o chefe da aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que Moscou não deve poder vencer a guerra.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, descreveu nesta semana a pressão que suas forças armadas estavam sofrendo na região de Donbass, no leste da Ucrânia, como “inferno”.
Ele falou de combates ferozes em torno da cidade de Avdiivka e da vila fortificada de Pisky, onde Kiev reconheceu o “sucesso parcial” de seu inimigo russo nos últimos dias.
Os militares ucranianos disseram nesta quinta que as forças russas montaram pelo menos dois ataques a Pisky, mas que suas tropas conseguiram repeli-los.
A Ucrânia passou os últimos oito anos fortalecendo posições defensivas em Pisky, vendo-a como uma zona tampão contra as forças apoiadas pela Rússia que controlam a cidade de Donetsk, cerca de 10 km a sudeste.
O general Oleksiy Gromov disse em entrevista coletiva que as forças ucranianas recapturaram duas aldeias ao redor da cidade oriental de Sloviansk, mas foram empurradas de volta para a cidade de Avdiivka, depois de serem forçadas a abandonar uma mina de carvão considerada uma posição defensiva fundamental.
O Ministério da Defesa russo confirmou sua ofensiva.
Segundo a pasta, suas forças infligiram pesadas perdas às forças ucranianas ao redor de Avdiivka e dois outros locais na província de Donetsk, forçando as unidades de infantaria mecanizada de Kiev a se retirarem.
A Reuters não pôde verificar imediatamente as afirmações de nenhum dos lados.
Imagens de vídeo divulgadas pelo Ministério da Defesa russo mostraram lançadores de foguetes russos em ação e tanques avançando e atirando em velocidade em terreno aberto. Não ficou claro onde eles foram filmados.
Alguns relatórios não verificados sugerem que as forças apoiadas pela Rússia chegaram aos arredores de Pisky.
Fornecido com armas sofisticadas pelo Ocidente, a Ucrânia também tem atacado forças apoiadas pela Rússia na área.
Autoridades da autoproclamada República Popular de Donetsk (DPR), apoiada pela Rússia, disseram na quinta-feira que o bombardeio ucraniano matou pelo menos cinco pessoas e feriu seis na cidade de Donetsk.
Imagens nas redes sociais mostraram corpos, alguns destroçados, deitados ao lado de uma estrada no centro de Donetsk. O sangue manchava a calçada.
Pavlo Kyrylenko, governador ucraniano de Donetsk, disse no Telegram que três civis foram mortos por bombardeios russos em Bakhmut, Maryinka e Shevchenko e cinco ficaram feridos nas últimas 24 horas.
Oito pessoas foram mortas e quatro ficaram feridas pelo bombardeio da artilharia russa na cidade de Toretsk, em Donetsk, disse ele.
A Rússia, que nega ter atacado civis deliberadamente, disse que planeja assumir o controle total da província de Donetsk, uma das duas que compõem a região industrializada de Donbass, como parte do que chama de “operação militar especial” para proteger sua segurança de o que chama de alargamento injustificado da Otan.
A Ucrânia e o Ocidente, que descrevem as ações da Rússia como uma guerra de agressão não provocada ao estilo imperial, dizem que as forças russas devem se retirar para suas posições antes de 24 de fevereiro, quando o presidente Vladimir Putin enviou dezenas de milhares de soldados para a Ucrânia.
Moscou, que fala regularmente da necessidade de suas forças avançarem mais profundamente na Ucrânia, parece improvável que concorde em fazer isso voluntariamente.