Médico da Casa Branca diz estar preocupado com a situação do Brasil
Anthony Fauci avalia que país vive uma 'situação bastante difícil' e afirma que se encontrará em breve com autoridades brasileiras
O governo americano expressou preocupação com a situação da pandemia no Brasil. Anthony Fauci, principal infectologista dos Estados Unidos e consultor da Casa Branca para o combate à Covid-19, afirmou que vai se encontrar em breve com autoridades brasileiras e que o Brasil vive uma situação “bastante difícil”. Ele já havia oferecido apoio técnico às autoridades brasileiras.
Andy Slavitt, coordenador da Casa Branca para o combate à doença, disse que está conversando com pessoas no país para entender a gravidade do que está acontecendo.
300 mil mortos
O Brasil ultrapassou a marca de 300 mil mortos na pandemia nesta quarta-feira (25). De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), 300.675 brasileiros foram vítimas da Covid-19. As famílias de 300.675 pessoas – de todas as regiões, classes sociais, etnias, credos, orientações políticas e ideológicas – estão em luto. O país está em luto.
Hoje, pouco mais de um ano depois do início da crise global – a data oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) é 11 de março de 2020 -, o Brasil é o epicentro da pandemia.
É aqui que morrem mais pessoas por dia atualmente – 1.999 nas últimas 24 horas, segundo o Conass.
É daqui que saem variantes do coronavírus capazes de pôr a perder todas as conquistas da medicina.
E é aqui que todos os cidadãos estão vulneráveis a contrair a Covid-19 e morrer dela – talvez sem acesso a uma UTI, sem oxigênio e sem condições de um sepultamento digno.
Se um ano atrás era, em alguma medida, possível definir grupos de risco para a Covid-19, no Brasil de março de 2021 o risco é simplesmente ser brasileiro.
A doença não mais discrimina por idade e, segundo médicos, jovens lotam as unidades de tratamento intensivo dos hospitais.
Negacionismo
O cenário que estamos enfrentando está ligado a uma série de negacionismos de parte das autoridades. É o que conclui a microbiologista Natalia Pasternak, diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora visitante do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas.
“Em relação à existência da pandemia, às medidas protetivas, como a máscara e o lockdown, e ao real tratamento, às vacinas”.
A afirmação é confirmada no Relatório Mundial 2021, produzido pela Human Rights Watch, organização internacional não-governamental referência em pesquisas sobre direitos humanos.
O documento é categórico ao apontar que o governo federal “tentou sabotar medidas de saúde pública destinadas a conter a propagação da pandemia da Covid-19”. O texto cita episódios em que o presidente Jair Bolsonaro:
– referiu-se à Covid-19 como “gripezinha, nos dias 20 e 24 de março de 2020;
– recusou-se a adotar medidas para proteger a si mesmo e as pessoas ao seu redor, questionando o uso da máscara e vetando trechos da lei que obrigava o uso da proteção em locais públicos;
– disseminou informações equivocadas, como no dia 21 de outubro, em que ele disse que “os números têm apontado que a pandemia está indo embora”;
– criticou os governos estaduais que buscaram impor medidas de distanciamento social, como no dia 28 de janeiro deste ano.
O texto também cita a demissão, em 16 de abril, do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ele foi substituído por Nelson Teich, que em 15 de maio também deixou o cargo no ministério em razão do presidente defender o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a Covid-19.
Depois disso, o general Eduardo Pazuello ainda foi substituído pelo médico Marcelo Queiroga.
