Kremlin diz ter lista de ativos ocidentais para confiscar caso ativos russos sejam apreendidos
Líderes do G7 vão avaliar, em fevereiro, manobra jurídica para confiscar dinheiro russo. Kremlin promete revidar


O Kremlin advertiu ao Ocidente nesta sexta-feira (29) de que possui uma lista de ativos norte-americanos, europeus e de outros países que podem ser confiscados caso os líderes do G7 decidam apreender US$ 300 bi de dólares em reservas congeladas do Banco Central Russo.
De acordo com fontes de bastidores, líderes do G7 discutirão uma nova teoria jurídica que, a rigor, permitiria a apreensão de ativos russos congelados. Uma reunião entre as lideranças deve acontecer em fevereiro.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que qualquer medida desse tipo por parte do Ocidente equivaleria a um “roubo”, violaria a lei internacional e prejudicaria as moedas de reserva, o sistema financeiro global e a economia mundial.
“Será um golpe significativo para os principais parâmetros da economia internacional, prejudicará a economia internacional”, disse Peskov a repórteres.
“Isso minará a confiança de outros países nos Estados Unidos e na União Europeia como garantidores econômicos. Portanto, tais ações estão repletas de consequências muito, muito sérias.”
Quando perguntado se havia uma lista específica de ativos ocidentais que a Rússia poderia confiscar em retaliação, Peskov disse: “Sim, existe”.
Ele se recusou a dizer quais ativos específicos estavam na lista.
Depois que o presidente Vladimir Putin enviou tropas para a Ucrânia em 2022, os EUA e seus aliados proibiram transações com o Banco Central russo e o Ministério das Finanças do país, bloqueando cerca de US$ 300 bi de dólares de ativos soberanos russos no Ocidente.
Autoridades dos EUA e do Reino Unido trabalharam nos últimos meses para impulsionar os esforços de confiscar os ativos russos na Bélgica e em cidades europeias, e esperam que os líderes do G7 concordem em emitir uma declaração mais forte quando se reunirem em fevereiro, por volta do segundo aniversário da invasão da Ucrânia por Moscou.
A legalidade do confisco dos ativos soberanos russos não é clara – e a Rússia tem dito repetidamente que contestará qualquer confisco nos tribunais.
Os defensores da apreensão de ativos russos dizem que a guerra na Ucrânia é ilegal e que o dinheiro russo congelado deveria ser dado à Ucrânia para reconstrução ou mesmo para combater as forças russas.