Guerra de Israel: Inteligência dos EUA fez alerta para possível aumento de violência dias antes do ataque
Fontes também tentam entender como mobilização do Hamas passou despercebida por governos e autoridades
- 1 de 46
Acredita-se que o Hamas esteja abrigando no subsolo um número considerável de combatentes e armas • Reuters
- 2 de 46
O conflito entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro quando o grupo extremista islâmic disparou uma chuva de foguetes lançados da Faixa de Gaza sobre o país judaico. A ofensiva contou ainda com avanços de tropas por terra e pelo mar • Reuters
- 3 de 46
Foguetes disparados em Israel a partir de Gaza • REUTERS/Amir Cohen
-
- 4 de 46
Após os ataques aéreos, o Hamas avançou no território israelense e invadiu a área onde estava acontecendo um festival de música eletrônica; mais de 260 corpos foram encontrados no local • Reprodução CNN
- 5 de 46
Carros foram deixados para trás pelos motoristas que tentavam fugir do grupo extremista islâmico • Reuters
- 6 de 46
Imagens mostram carros abandonados e sinais de explosões após ataque em festival de música eletrônica em Israel • Reuters
-
- 7 de 46
As forças israelenses responderam com uma contraofensiva que atingiu Gaza e deixou vítimas, inclusive, em campos de refugiados. Israel declarou "cerco total" e suspendeu o abastecimento de água, energia, combustível e comida ao território palestino • 13/10/2023 REUTERS/Violeta Santos Moura
- 8 de 46
Destruição em campo de refugiados palestinos em Gaza após ataque aéreo de Israel • Reuters
- 9 de 46
Pessoas carregam o corpo de palestino morto em ataque israelense no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza • 09/10/2023 REUTERS/Mahmoud Issa
-
- 10 de 46
Campo de refugiados palestinos atingido em meio a ataques aéreos israelenses em Gaza • Reuters
- 11 de 46
Prédios destruídos na Faixa de Gaza • Ahmad Hasaballah/Getty Images
- 12 de 46
Escombros de prédio destruído após sataques em Sderot, no sul de Israel • Ilia Yefimovich/picture alliance via Getty Images
-
- 13 de 46
Delegacia destruída no sul de Israel após ataque do Hamas • REUTERS/Ronen Zvulun
- 14 de 46
Palestinos queimam pneus de carros e bloqueiam estradas enquanto entram em confronto com as forças israelenses no distrito de Beit El, em Ramallah, na Cisjordânia • Anadolu Agency via Getty Images
- 15 de 46
As Brigadas Izz ad-Din al-Qassam seguram uma bandeira palestina enquanto destroem um tanque das forças israelenses em Gaza • Hani Alshaer/Anadolu Agency via Getty Images
-
- 16 de 46
Bombeiros tentaram apagar incêndios em Israel após bombardeio de Gaza no sábado (7) • Reuters
- 17 de 46
Foguetes disparados de Gaza em direção a Israel na manhã de sábado (7) • CNN
- 18 de 46
Veja como funciona o sistema antimíssil de Israel • CNN
-
- 19 de 46
Ataque israelense na Faixa de Gaza • 10/10/2023 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
- 20 de 46
Casas e prédios destruídos por ataques aéreos israelenses em Gaza • 10/10/2023 REUTERS/Shadi Tabatibi
- 21 de 46
Tanque de guerra israelense estacionado perto da fronteira de Gaza • Ahmed Zakot/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
-
- 22 de 46
Imagens se satélite mostram destruição na Faixa de Gaza • Reprodução/Reuters
- 23 de 46
Salva de foguetes é disparada por militantes do Hamas de Gaza em direção a cidade de Ashkelon, em Israel, em 10 de outubro de 2023. • Saeed Qaq/Anadolu via Getty Images
- 24 de 46
Salva de foguetes é disparada por militantes do Hamas de Gaza em direção a cidade de Ashkelon, em Israel, em 10 de outubro de 2023. • Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images
-
- 25 de 46
Barco de pesca pega fogo no porto de Gaza após ser atingido por ataques de Israel. • Reuters
- 26 de 46
Palestinos caminham em meio a destroços de prédios destruídos por Israel em Gaza • 10/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
- 27 de 46
Palestinos caminham em meio a destroços de prédios em Gaza destruídos por ataques de Israel • 09/10/2023REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
-
- 28 de 46
Soldados israelenses carregam corpo de vítima de ataque realizado por militantes de Gaza no kibbutz de Kfar Aza, no sul de Israel • 10/10/2023 REUTERS/Violeta Santos Moura
- 29 de 46
Destruição em Gaza provocada por ataques israelenses • 10/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
- 30 de 46
Ataque israelense na Faixa de Gaza • 10/10/2023 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
-
- 31 de 46
Casas e prédios destruídos por ataques aéreos israelenses em Gaza • 10/10/2023 REUTERS/Shadi Tabatibi
- 32 de 46
Munição israelense é vista em Sderot, Israel, na segunda-feira • Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images
- 33 de 46
Tanque de guerra israelense estacionado perto da fronteira de Gaza • Ahmed Zakot/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
-
- 34 de 46
Chamas e fumaça durante ataque israelense a Gaza • 09/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
- 35 de 46
Sistema antimísseis de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza • 09/10/2023REUTERS/Amir Cohen
- 36 de 46
Hospital na Faixa de Gaza usa geladeiras de sorvete para colocar cadáveres devido à superlotação do necrotério • Ashraf Amra/Anadolu via Getty Images
-
- 37 de 46
Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense no oitavo dia de confrontos na Faixa de Gaza, em 14 de outubro de 2023 • Ali Jadallah/Anadolu via Getty Images
- 38 de 46
Homem palestino lava as mãos em uma poça ao lado de um prédio destruído após os ataques israelenses na Cidade de Gaza • Ahmed Zakot/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
- 39 de 46
Embaixada dos EUA no Líbano é alvo de protestos • Reprodução CNN
-
- 40 de 46
Palestinos protestam na Cisjordânia contra ataques de Israel
- 41 de 46
Hospital em Gaza é atingido por um míssil • Reprodução
- 42 de 46
Hospital atacado em Gaza • Reprodução
-
- 43 de 46
Palestinos procuram vítimas sob escombros de casas destruídas por ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza • 17/10/2023REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
- 44 de 46
Cidadã palestina inspeciona sua casa destruída durante ataques israelenses no sul da Faixa de Gaza em 17 de outubro de 2023 em Khan Yunis • Ahmad Hasaballah/Getty Images
- 45 de 46
Tanque de guerra israelense • Saeed Qaq/Anadolu via Getty Images
-
- 46 de 46
Ataque de Israel contra Gaza • 11/10/2023REUTERS/Saleh Salem
A Inteligência dos Estados Unidos fez ao menos duas avaliações baseadas parcialmente em informações fornecidas por Israel, alertando o governo de Joe Biden sobre risco de conflito na região nas semanas anteriores ao ataque do Hamas, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.
Uma atualização feita em 28 de setembro alertava, com base em múltiplos fluxos de informações, que o grupo radical islâmico Hamas estava preparado para intensificar os ataques com foguetes através da fronteira.
Veja também — Análise: Israel pode entrar em Gaza a qualquer momento
Já um telegrama de 5 de outubro da CIA, a agência de Inteligência dos EUA, alertou para a possibilidade crescente de violência por parte do Hamas.
Depois, em 6 de outubro, um dia antes do ataque, autoridades dos Estados Unidos compartilharam informações de Israel indicando atividade incomum por parte do Hamas – o que agora fica claro: um ataque era iminente.
Entretanto, nenhuma das avaliações americanas ofereceu quaisquer detalhes tácticos ou indicações da proporção, escala e brutalidade da operação que o Hamas realizou em 7 de outubro, ponderam as fontes.
Não está claro se alguma destas avaliações dos EUA foi compartilhada com Israel, que fornece grande parte da informação em que os Estados Unidos baseiam os seus relatórios.
Israel, Gaza e a Cisjordânia também estão em uma lista de “pontos críticos”, que é incluída quase diariamente em briefings de inteligência para funcionários de alto escalão do governo, informou uma pessoa que recebe os briefings.
As avaliações são escritas pela comunidade de inteligência para informar os atores políticos e permitir que tomem melhores decisões.
“O problema é que nada disso é novo. Isso é algo que tem sido historicamente a norma entre o Hamas e Israel. Acho que o que aconteceu é que todos viram esses relatórios e pensaram: ‘Sim, claro. Mas sabemos como será isso'”, ponderou uma das fontes familiarizadas com o assunto.
Mas as avaliações fizeram parte de uma onda de avisos à administração Biden que vieram tanto pela sua própria comunidade de inteligência como pelos aliados do Oriente Médio durante o ano passado, levantando questões sobre se os EUA e Israel estavam avaliando adequadamente com o risco.
Um funcionário de alta patente de um país árabe da região afirmou que seu país levantou em diversas oportunidades preocupações junto das autoridades norte-americanas e israelenses de que a ira palestina estava prestes a atingir um nível perigoso. “Mas eles nunca ouviram quando os avisamos”, pontuou a fonte.
Um diplomata do Oriente Médio em Washington também disse à CNN que seu governo tinha alertado a Casa Branca e os responsáveis do serviço secreto dos EUA sobre um aumento na quantidade de armas do Hamas e de raiva entre os palestinos que estava prestes a explodir.
Os alertas destacavam que “as armas que existem em Gaza estão além da imaginação de qualquer pessoa”, segundo o diplomata.
“As armas que existem na Cisjordânia, através do Hamas, também estão se tornando um problema real, e o controle do Hamas na Cisjordânia é um problema real”, adicionou.
“Isso [era avisado] em todas as reuniões, em todas as reuniões do último ano e meio”, acrescentou o diplomata.
Além disso, em fevereiro, o diretor da CIA, Bill Burns, destacou em uma audiência na Escola de Serviço Estrangeiro de Georgetown que estava “bastante preocupado com as perspectivas de fragilidade ainda maior e de violência ainda maior entre israelenses e palestinos”.
“Eu não chegaria à conclusão de que a comunidade de inteligência não estava acompanhando isso a partir de um nível estratégico – na verdade, estava”, comentou uma autoridade dos EUA à CNN.
Avisos não adiantaram
No entanto, esses avisos estratégicos não ajudaram em nada as autoridades norte-americanas ou israelenses a prever os acontecimentos de 7 de outubro, quando mais de mil combatentes do Hamas atravessaram a fronteira para Israel, em uma operação que deixaria mais de mil israelenses mortos.
Para a maioria das autoridades norte-americanas e israelenses que acompanhavam a inteligência, a expectativa era que provavelmente haveria apenas mais uma onda de violência em pequena escala por parte do Hamas, como lançamento de foguetes que o Domo de Ferro de Israel interceptasse, por exemplo, explicou uma fonte familiarizada com a inteligência.
“Se soubéssemos ou saibamos de um possível ataque contra um aliado, informaríamos claramente esse aliado”, disse o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, na sexta-feira (13).
Altos funcionários do governo de Joe Biden, bem como atuais e antigos funcionários da inteligência, continuam dizendo que estão concentrados na crise em questão e insistem que é muito cedo para rever como o planejamento de um ataque tão massivo passou despercebido.
Veja também — Jornalista da Reuters é morto no sul do Líbano
Vários funcionários que trabalham ou trabalharam no serviço secreto dos EUA, bem como alguns deputados informados sobre a inteligência norte-americana, negaram que a falha sobre fornecer um aviso tático sobre o ataque era da responsabilidade dos Estados Unidos.
Segundo essas fontes, muitos dos relatórios de inteligência dos EUA sobre Gaza tiveram origem em Israel, em primeiro lugar.
Outra fonte familiarizada com a inteligência resumiu a visão dos Estados Unidos sobre o assunto: “Israel perdeu isso, não nós. Temos um certo nível de confiança no Shin Bet, nas Forças de Defesa de Israel, no Mossad e outros”.
O New York Times também informou sobre a existência de alguns dos relatórios e que eles não foram informados ao presidente Joe Biden.
“Não houve aviso prévio sobre o ataque terrorista”, alegou um funcionário do governo Biden à CNN.
Procurados pela CNN, o gabinete do diretor de Inteligência Nacional dos EUA e a CIA não quiseram comentar.
Sinais perdidos do ataque
Com base em conversas com dezenas de atuais e antigos funcionários do serviço secreto, militares e do Congresso, a opinião de que o fracasso de Israel em prever os ataques aconteceu principalmente a uma falta de “imaginação” está aumentando entre as autoridades.
O Hamas provavelmente escondeu o planejamento da operação através de medidas antigas de contra-espionagem, como a realização de reuniões pessoalmente e não utilização de comunicações digitais, cujos sinais os israelenses podem rastrear.
Mas as autoridades norte-americanas também acreditam que Israel se tornou complacente com a ameaça que o Hamas representava e não conseguiu reconhecer os principais indicadores de que o grupo estava a planejando uma operação em grande escala.
Por exemplo, as autoridades israelenses não entenderam os exercícios rotineiros do Hamas como um sinal de que o grupo estava preparando um ataque.
Os integrantes do Hamas treinaram para a ofensiva em pelo menos seis locais em Gaza, de acordo com apuração da CNN, incluindo um local a menos de um quilômetro e meio da fronteira de Israel.
“Houve muitos indicadores de uma mudança de postura geral por parte do Hamas e depois de uma articulação tanto na retórica pública como na postura mais voltada para a violência e os ataques”, avaliou uma fonte familiarizada com a inteligência dos EUA.
Em geral, a postura pública do governo Biden enquanto havia a preparação para o ataque também não refletiu um maior sentimento de alarme sobre o potencial de violência do grupo.
A avaliação anual da comunidade de inteligência sobre as ameaças mundiais, divulgada em fevereiro, não mencionou o Hamas, por exemplo.
“A região do Oriente Médio está hoje mais calma do que esteve em duas décadas”, pontuou o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan no The Atlantic Festival, em 29 de setembro.
Ainda assim, Sullivan destacou que “os desafios permanecem”, citando “as tensões entre israelenses e palestinos”.
“Mas a quantidade de tempo que tenho hoje para dedicar à crise e ao conflito no Médio Oriente, em comparação com qualquer um dos meus antecessores desde o 11 de Setembro, é significativamente reduzida”, comentou a autoridade.
O Hamas evitou ampliar a batalha em duas operações transfronteiriças menores no ano passado entre outro grupo palestino e Israel.
Assim, Israel acreditava que sua política de oferecer autorizações de trabalho aos habitantes de Gaza e de permitir a entrada de dinheiro do Qatar no país tinha dado ao Hamas algo a perder – e acalmado o grupo até que ficasse quieto.
“O Hamas é muito, muito contido e compreende as implicações de um desafio maior”, disse Tzachi Hanegbi, conselheiro de segurança nacional de Israel, a um canal de rádio israelense seis dias antes do ataque.
Também é possível que a operação do Hamas tenha sido mais bem-sucedida do que o grupo previu, segundo avaliaram um ex-oficial de inteligência e outra fonte familiarizada com a inteligência atual.
“Acho que é muito possível, senão provável, que o Hamas tenha superado amplamente as suas próprias expectativas”, disse a segunda fonte.
“Eles pensaram que fariam este ataque e que haveria algumas dezenas de mortos, mas nunca pensaram que chegaria ao nível que atingiu”, observou.