Enfermeiro que ajudou nos resgates só viu que estava ferido 2 h após a explosão
O enfermeiro libanês, Kenny Hattouni, disse que a cidade anunciou que era seguro sair nas ruas por conta de uma redução do nível de toxicidade no ar
Kenny Hattouni é um enfermeiro libanês que trabalha em um dos hospitais afetados pela explosão em Beirute, no Líbano. Ele conta que estava de saída do local, quando escutou as explosões, e que sua primeira reação após o impacto foi tentar salvar pacientes da UTI, ala onde atua.
“Nossa primeira reação foi ajudar os pacientes na UTI, tentamos fazer curativo com os materiais que achamos, porém o hospital inteiro foi destruído, foi uma cena de terror. Pessoas do time de enfermagem faleceram, pacientes também, mas por sorte conseguimos evacuar a maioria das pessoas que estavam lá.”
Kenny conta que só percebeu que tinha sofrido ferimentos duas horas após a explosão por conta da adrenalina para salvar os pacientes.
Ele também relata que o dia seguinte à tragédia em Beirute foi marcado por um clima de choque, com pessoas tentando limpar suas casas e esperando explicações do governo.
“Hoje a cidade estava em estado de choque. As pessoas foram às ruas para tentar limpar suas casas, tentando tirar a poeira, com carros com vidros quebrados pelas ruas,” disse Kenny
“Todo mundo estava esperando uma explicação do governo, porém eles apresentaram para a população três ou quatro teorias.”
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Fumaça tóxica
Outra preocupação dos habitantes de Beirute é a fumaça tóxica proveniente da explosão de quilos de amônia. Kenny disse que os habitantes da cidade receberam a indicação de ficar em casa em caso de chuva, mas que, nesta tarde, autoridades libanesas avisaram que é seguro sair nas ruas da capital, porém de máscara.
“A fumaça tóxica é uma preocupação para todos. Fomos indicados a não sair de casa caso chova, mas depois soubemos que o nível de toxicidade caiu e que era seguro sair de casa de máscara.”

(Edição: Sinara Peixoto)