Debate de vices nos EUA tem críticas a Kamala e Trump e divergências sobre 6/1, aborto e imigração
Democrata Tim Walz e republicano JD Vance mostram diferenças sobre violência com armas nas escolas e políticas sobre aborto, moradia e imigração em debate na CBS


Tim Walz e JD Vance, candidatos à Vice-Presidência dos Estados Unidos nas chapas Kamala Harris e Donald Trump, respectivamente, debateram pela primeira vez nesta terça-feira (1°). O evento é realizado pela CBS News e acontece a cinco semanas do dia da eleição americana.
Walz e Vance se cumprimentaram antes do início do debate, já no palco.
Primeiro tema: Oriente Médio
Nesta terça-feira (1°), o Irã lançou um ataque com mísseis contra Israel, aumentando o temor por uma guerra ampla no Oriente Médio. A situação na região foi o primeiro tema do debate.
Walz começou o debate relembrando o ataque do Hamas contra Israel, destacando que a possibilidade de que Israel se defenda é fundamental. Ele também destacou que uma liderança firme será importante.
Em seguida, começou a atacar Donald Trump, ressaltando que ex-aliados de Trump disseram que ele não deveria estar nem “perto da Casa Branca”. Assim, ressaltou que Kamala Harris terá uma liderança firme.
Vance, por sua vez, antes de responder à pergunta se apoiaria um ataque preventivo de Israel, se apresentou ao eleitor, contando brevemente sua história.
Ele defendeu Donald Trump dos ataques de Walz e criticou a gestão de Joe Biden e Kamala Harris.

Sobre a pergunta do ataque preventivo, republicano comentou que cabe a Israel decidir o que precisam fazer para manter o país seguro e que os EUA devem apoiar seus aliados enquanto eles lutam contra os “caras maus”.
Então, Tim Walz afirmou que o Irã está mais próximo de uma arma nuclear por causa do governo Trump, adicionando que a diplomacia “padrão” do republicano é fazer publicações em redes sociais.
JD Vance rebateu, dizendo que Trump “fez consistentemente o mundo mais seguro”.
“Diplomacia efetiva e inteligente e paz pela força é como você traz estabilidade novamente para um mundo muito quebrado”, afirmou, adicionando que Trump “já fez isso antes”.
Segundo Tema: Furacão Helene
O Furacão Helene foi uma das tempestades mais intensas a atingir os Estados Unidos nos últimos anos, deixando mais de uma centena de mortos.
JD Vance comentou que é uma tragédia “inimaginável” e prestou condolências às vítimas. Ele disse que, se Trump for eleito, seu governo colocará os “cidadãos em primeiro lugar” quando sofrerem de desastres.
O republicano também abordou a crise climática, destacando que ele e Trump apoiam “ar e água limpos” e destacou que os Estados Unidos têm a “economia mais verde no mundo”, tecendo críticas a Kamala Harris.
“Se nós nos importamos com ar limpo e água limpa, o melhor a se fazer agora é investir nos trabalhadores e nas pessoas dos EUA, o que, infelizmente, Kamala Harris fez o oposto”, pontuou.

Walz também enviou condolências às vítimas e destacou que o furacão é uma “tragédia horrível”.
O democrata afirmou que Trump disse no passado que a crise climática é uma “farsa” e que o atual governo faz investimentos pesados neste ponto e nos trabalhadores americanos.
“A solução é continuar avançando e entendo que a crise climática é real. Reduzir nosso impacto é absolutamente crítico, mas isso não é uma ‘escolha falsa’. Você pode fazer isso ao mesmo tempo que cria empregos. É exatamente o que essa administração está fazendo”, observou.
Em seguida, JD Vance comentou que, se houver investimentos em painéis solares feitos na China, a economia ficará “mais suja”.
Terceiro Tema: Imigração
A imigração ilegal, principalmente na fronteira com o México, é um dos principais temas da campanha presidencial dos Estados Unidos.
Sobre isso, Vance pontuou que, antes de falar em deportações, é necessário “parar o sangramento”. “Temos uma crise de imigração história porque Kamala Harris começou isso”, alegou.
O republicano também disse que isso também acarretou uma crise de fentanil. “Kamala Harris deixou o fentanil entrar em nossas comunidades em nível recorde”, afirmou.
“Precisamos reimplementar as políticas de fronteira de Donald Trump, construir o muro, reimplementar deportações”, comentou, chamando os imigrantes ilegais de “aliens”, assim como Trump faz.
O senador de Ohio disse que as deportações devem começar com os “imigrantes criminosos”.
Sobre receio de que as deportações e outras políticas possam separar famílias, o republicano alegou que “a verdadeira política de separação de famílias é a fronteira sul aberta de Kamala Harris”.
Tim Walz reconheceu que há uma crise de opioides, mas que houve a maior queda em mortes por opioides nos últimos 12 anos na história dos EUA, incluindo em Ohio, onde Vance é senador.
O governador também relembrou o período de Kamala Harris como procuradora, destacando que ela é “a única pessoa nesta disputa” que processou gangues por tráfico humano e crimes relacionados a drogas.
Ele comentou então de um projeto de lei para combater a imigração ilegal que foi barrado no Congresso após intervenção de Donald Trump.
“Aprovem o projeto, ela [Kamala] vai assiná-lo”, disse.
Em outro momento, ele ressaltou que há “demonização” quando não há vontade de resolver o problema.
“Podemos nos unir e resolver isso se não tivéssemos deixado Donald Trump continuar fazer disso um problema”, observou, antes de comentar brevemente sobre Springfield, cidade na qual Trump disse que imigrantes comiam animais de estimação.
Em seguida, JD Vance pontuou que é necessário reforçar a atuação da patrulha de fronteira.
Ele também comentou que há hospitais e escolas sobrecarregados, além de casas que não são acessíveis por causa de imigrantes que estão “competindo” pelas moradias com os cidadãos americanos.
Após as âncoras fazerem uma ressalva sobre a situação de imigrantes em Springfield, Vance tentou argumentar, gerando réplica de Walz. Os microfones foram cortados em seguida para que pudessem avançar no próximo ponto do debate.
Quarto Tema: Economia
Tim Walz elogiou os planos econômicos de Kamala Harris, dizendo que ambos “acreditam na classe média”.
Ele enfatizou o papel de aumentar o número de moradias disponíveis para ajudar a reduzir os preços inacessíveis das moradias. Kamala propôs construir três milhões de novas casas em todo o país.
Alguns especialistas dizem que os EUA precisam de sete milhões de novas unidades habitacionais para estabilizar o mercado.
Walz também defendeu “garantir que os cortes de impostos vão para a classe média”, como créditos fiscais para crianças, bem como “justiça” nos preços de bens do dia a dia.
Defendendo o plano econômico do ex-presidente Donald Trump, JD Vance reconheceu que os americanos estão lutando para pagar as contas e disse que a crise do custo de vida “vai parar no primeiro dia” de um segundo mandato de Trump.
Sobre críticas de economistas a planos da chapa republicana, o senador comentou: “muitas das drogas [remédios] que colocamos nos corpos das nossas crianças são produzidas por nações que nos odeiam. Isso precisa parar. E não vamos parar com isso ouvindo especialistas, vamos parar isso ouvindo para o conhecimento do senso comum”.
Quinto Tema: perguntas pessoais
Neste ponto do debate, Walz relembrou o período em que foi professor e a relação com a comunidade onde cresceu.
“Meu compromisso, desde o início, foi garantir que eu esteja ali para o povo”, disse.
Questionado sobre uma fala anterior, na qual disse que Trump poderia ser o “Hitler da América” e que ele não estaria apto para o cargo, Vance ressaltou que “sempre foi aberto”, reconhecendo que já discordou do ex-presidente, mas que também foi “extremamente aberto sobre o fato de que estava errado sobre Donald Trump”.
“Donald Trump fez algo pelo povo americano — aumento de salários, aumento do salário líquido, uma economia que funcionava para os americanos normais, uma fronteira sul segura — muitas coisas, francamente, que eu não achava que ele seria capaz de fazer”, alegou Vance.
“Quando você erra, quando fala errado, quando faz algo errado e muda de ideia, você deve ser honesto com o povo americano sobre isso”, afrimou.
Sexto Tema: Aborto
Outro dos principais temas na campanha presidencial dos EUA é o aborto.
O governador Tim Walz ressaltou que essa é uma questão que está “na mente de todos” e defendeu um projeto de lei que ele sancionou em Minnesota que tornou o aborto mais acessível no estado.
Ele também citou o “Projeto 2025”, um conjunto de propostas conservadoras para o próximo presidente republicano, alegando que ele tornará “mais difícil, se não impossível,” para conseguir acesso tratamentos de infertilidade.
“Para muitos de vocês que estão ouvindo, eu incluso, tratamentos de infertilidade são o motivo do porquê temos uma criança. Isso não é da conta de ninguém”, destacou.
“Este é um direito humano básico”, afirmou Walz.
“Em Minnesota, somos o primeiro no ranking de cuidados de saúde por uma razão: confiamos em mulheres; confiamos em médicos”, disse.
JD Vance ressaltou que ele é um republicano que, “orgulhosamente, quer proteger a vida inocente neste país”.
Ele reconheceu que muitos americanos não confiam no Partido Republicano neste assunto e enfatizou que “uma das coisas que Donald Trump e eu estamos nos esforçando para fazer” é ganhar a confiança das pessoas sobre a questão.
Em seguida, comentou querer que o Partido Republicano “seja pró-família no sentido mais amplo da palavra”.
“Quero que apoiemos os tratamentos de fertilidade. Quero que tornemos mais fácil para as mães terem filhos. Quero tornar mais fácil para as famílias jovens terem uma casa, para que possam ter um lugar para criar essa família”, observou.
O senador reforçou a retórica de Donald Trump de que a questão do aborto seja definida pelos estados.
Walz rebateu: “Como podemos, como nação, dizer que sua vida e seus direitos, tão básicos quanto o direito de controlar seu próprio corpo, são determinados pela geografia”, disse Walz.
Em resposta, Vance acusou a campanha democrata de ser pró-aborto.
“Não, não somos. Somos pró-mulheres, somos pró-liberdade para fazer sua própria escolha”, destacou Walz.
“Usei esta frase sobre isso: ‘Cuide da sua própria vida nisso’. As coisas funcionaram melhor quando Roe v. Wade estava em vigor, quando fazemos uma restauração de Roe que funciona melhor”, concluiu.
Roe vs. Wade era decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que garantia o ”direito” ao aborto em todos os estados americanos. Entretanto, essa decisão foi revertida em 2022.
Sétimo Tema: Violência armada
Falando sobre uma “violência epidêmica”, JD Vance alegou que a maior parte da violência armada acontece com armas adquiridas de forma ilegal.
O senador pontuou que é necessário aumentar a segurança nas escolas, fazendo as portas “trancarem melhor, serem mais fortes, fazer as janelas mais fortes”.
Walz comentou que esse é um tema que deve ser “o maior pesadelo” dos pais assistindo ao debate e que seu filho presenciou um ataque a tiros.
Ainda assim, o governador disse que Minnesota aprovou leis reforçadas sobre o assunto e mencionou a Finlândia como um país com altas taxas de posse de armas e baixas taxas de violência armada.
Na resposta, Vance prestou condolências ao adversário pelo relato do que o filho presenciou.
Por fim, Walz também citou cuidado sobre saúde mental, destacando que o tema não deve ser estigmatizado.
Oitavo tema: Moradia
Tim Walz afirmou que o problema com essa questão é que “há muitas pessoas que veem a moradia como mais uma commoditie”.
Ele defendeu tornar moradias mais acessíveis, citando os planos de Kamala Harris para construir mais três milhões de unidades habitacionais e oferecer até US$ 25 mil em suporte para pessoas que estão comprando imóveis pela primeira vez.
A organização sem fins lucrativos Enterprise Community Partners estima que os EUA precisam de sete milhões de novas unidades para estabilizar o mercado imobiliário.
Em resposta, JD Vance pontuou que não quer culpar imigrantes por preços mais altos de moradia, mas “queremos culpar Kamala Harris por permitir a entrada de milhões de ‘aliens’ ilegais, algo que aumenta o custo [de moradias]”.
Ele também afirmou que Kamala deveria aplicar as políticas que propõe agora, pois é a atual vice-presidente dos EUA.
O senador alegou que o preço de energia e combustíveis também impacta o preço das moradias. “Se abrirmos ‘a energia americana’, vocês terão redução imediata no preço”.
Por fim, comentou que novas casas poderiam ser construídas em terras federais que não são utilizadas. “Deveríamos estar expulsando imigrantes ilegais que estão competindo por essas casas e deveríamos estar construindo mais casas para os cidadãos americanos que merecem estar aqui”, disse.
Nono tema: sistema de saúde
JD Vance afirmou que o preço de medicamentos prescritos aumentou mais sob a gestão da qual Kamala Harris faz parte.
“Donald Trump ganhou o direito de implementar algumas políticas de saúde melhores. Ele ganhou porque fez isso com sucesso na primeira vez”, alegou.
Tim Walz defendeu Kamala Harris e suas políticas sobre o assunto e disse que Donald Trump queria revogar o Obama Care (cujo nome oficial é o Affordable Care Act).
Décimo tema: licença remunerada para pais e assistência infantil
Neste ponto, Walz pontuou que esse é um tema “negociável” e é “para isso que o Congresso serve”.
Ele também comentou que essa é uma maneira de manter os trabalhadores “saudáveis” e que será uma prioridade de um governo de Kamala Harris.
JD Vance pediu uma abordagem mais abrangente quando se trata de licença familiar remunerada e políticas de assistência à infância.
“Deveríamos ter um modelo de assistência à família que tornasse a escolha possível, e acho que essa é uma diferença substancial muito importante entre a abordagem de Donald Trump e Kamala Harris”, argumentou Vance.
Décimo primeiro tema: transição de poder
Questionado se o ex-presidente Donald Trump contestaria novamente o resultado da eleição se perdesse, o senador de Ohio JD Vance não respondeu diretamente.
“Olha, o que o presidente Trump disse é que houve problemas em 2020, e minha própria crença é que devemos lutar sobre essas questões, debater essas questões, pacificamente na praça pública”, disse o candidato republicano à Vice-Presidência.
“E isso é tudo o que eu disse, e isso é tudo o que Donald Trump disse”, comentou.
“Lembre-se, ele disse que em 6 de janeiro, os manifestantes deveriam protestar pacificamente, e em 20 de janeiro, o que aconteceu? Joe Biden se tornou o presidente. Donald Trump deixou a Casa Branca, e agora, é claro, infelizmente, temos todas as políticas negativas que vieram da administração Harris/Biden”, disse Vance.
Vance então disse que há uma ameaça à democracia sobre a qual Kamala Harris e Tim Walz não querem falar.
“É a ameaça da censura. São os americanos deixando de lado amizades de longa data por causa de desentendimentos sobre política. São grandes empresas de tecnologia silenciando seus concidadãos, e é Kamala Harris dizendo que, em vez de debater e persuadir seus concidadãos americanos, ela gostaria de censurar pessoas que se envolvem em desinformação. Acho que isso é uma ameaça muito maior à democracia do que qualquer coisa que vimos neste país nos últimos quatro anos, nos últimos 40 anos”, disse o senador.
Vance encerrou sua resposta com mais um momento conciliatório em relação a Walz, dizendo ao governador que os dois apertarão as mãos após o debate e oferecendo sua ajuda a Walz se ele for eleito vice-presidente.
Debate histórico
O evento marca o primeiro e único debate confirmado entre JD Vance, candidato na chapa de Donald Trump, e Tim Walz, candidato na chapa de Kamala Harris, enquanto pesquisas mostram um cenário acirrado na corrida de 2024 à Casa Branca.
O confronto terá 90 minutos de duração e não contará com falas de abertura ou plateia no estúdio. Veja todas as regras através desta matéria.
O debate da CBS News acontece na cidade de Nova York e será moderado pela âncora e editora-chefe do “CBS Evening News”, Norah O’Donnell, e pela correspondente-chefe de relações exteriores da CBS News, Margaret Brennan.
Veja o que você precisa saber sobre o debate entre JD Vance e Tim Walz nesta matéria.
*com iformações da CNN