Cinquenta países dizem que a Rússia abusou do poder ao vetar resolução na ONU
“A Rússia abusou de seu poder hoje para vetar nossa forte resolução", disse Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos Estados Unidos na ONU
Cinquenta países emitiram uma declaração conjunta, nesta sexta-feira (25), dizendo que a Rússia abusou de seu poder de veto ao bloquear uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenando a invasão da Ucrânia.
A declaração foi lida em voz alta pela embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, após a reunião. Ela foi acompanhada por representantes de muitos dos países que assinaram a declaração.
“Aqueles de nós que estão aqui hoje continuam acreditando no dever solene e no propósito mais elevado do Conselho de Segurança –prevenir conflitos e evitar o flagelo da guerra”, disse Thomas-Greenfield. “A Rússia abusou de seu poder hoje para vetar nossa forte resolução.”
Onze países votaram a favor da resolução (Albânia, Brasil, Estados Unidos, França, Gabão, Gana, Irlanda, México, Noruega, Quênia e Reino Unido). China, Índia e Emirados Árabes se abstiveram.
Entenda o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.
Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
(*Com informações da Reuters e da CNN Internacional)