China se afasta de resolução pacífica para Taiwan, diz secretário de Estado dos EUA
Tensões entre os países aumentaram após visita de presidente da Câmara norte-americana à ilha reivindicada pelo governo chinês
O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken acusou a China de adotar “medidas irresponsáveis” neste sábado (6) após o país interromper os principais canais de comunicação com os Estados Unidos, e disse que suas ações em Taiwan mostraram uma disposição para o uso da força, ao invés da busca por uma resolução pacífica.
Os comentários foram feitos enquanto aeronaves e navios de guerra chineses praticavam um exercício de simulação de ataque a Taiwan, disseram autoridades da ilha, parte de uma série de medidas tomadas por Pequim após uma visita da presidente da Câmara norte-americana Nancy Pelosi no início desta semana.
A retaliação da China ao interromper processos bilaterais em oito áreas-chave, incluindo defesa, narcóticos, crimes transnacionais e mudanças climáticas, são medidas que puniriam o mundo, não apenas os Estados Unidos, repreendeu Blinken durante uma entrevista coletiva nas Filipinas.
“Isso inclui vários canais militares que são vitais para evitar falhas de comunicação e evitar crises”, disse ele.
“Suspender a cooperação climática não pune os Estados Unidos, pune o mundo, particularmente o mundo em desenvolvimento. Não devemos manter a cooperação em assuntos de interesse global refém por causa das diferenças entre nossos dois países”.
O combate às mudanças climáticas tem sido uma área fundamental de cooperação entre as duas superpotências, que são os dois maiores emissores de gases de efeito estufa.
Blinken disse que os Estados Unidos têm ouvido preocupações de aliados sobre o que ele chamou de ações perigosas e desestabilizadoras da China em torno de Taiwan, mas que Washington permanecerá firme no tratamento da situação.
Ele ressaltou que transmitiu ao ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em uma reunião regional no Camboja, que os Estados Unidos estavam determinados a manter os canais de comunicação funcionando para evitar erros de cálculo, como países ao redor do mundo esperavam.
“Deixe-me ser claro, os Estados Unidos não acreditam que seja do interesse de Taiwan, da região ou de nossa própria segurança nacional escalar a situação”, disse ele.
“Manteremos nossos canais de comunicação com a China abertos, com a intenção de evitar uma escalada devido a mal-entendidos ou falta de comunicação”.
Ele acrescentou que “manter o diálogo é indiscutivelmente ainda mais importante quando estamos em um período de tensões elevadas… Procuramos diminuir essas tensões. E achamos que o diálogo é um elemento muito importante disso”.