Apesar de pressão internacional, lutador de 27 anos é morto pelo governo do Irã
Governo afirma que ele matou um agente de segurança durante manifestações em 2018; associação de atletas fala em confissão sob tortura
O lutador iraniano Navid Afkari foi executado neste sábado (12), segundo informações da mídia estatal IRNA, apesar de uma grande campanha internacional ter tentado evitar que a sentença fosse aplicada.
Afkari tinha 27 anos e foi executado em uma prisão de Shiraz, de acordo com a agência. Ele havia sido sentenciado à morte após ser acusado de participar do assassinato de Hasan Turkman, um agente de segurança do governo, durante manifestações em 2018.
Porta-voz do judiciário do Irã, Gholam Hossein Esmaeili teria dito jornal Hamshari, de Tehran, que o lutador foi sentenciado ao veredito islâmico de ghesas, ou retribuição equivalente.
De acordo com o veículo, Esmaeili disse que Afkari foi ordenado a pagar uma restituição à família da vítima e, caso não conseguisse, receberia pena de morte. Isso porque o caso já havia sido revisto pelo Supremo Tribunal do país e que o lutador havia confessado que realizou o crime.
Leia também
Atletas pedem Irã fora de competições caso lutador seja executado
Cerimônias nos EUA lembram os 19 anos dos ataques de 11 de Setembro
A agência IRNA reportou no sábado (11) que o homem foi executado depois da família da vítima não aceitar seu pedido de desculpas e não autorizar que ele pagasse uma restituição monetária.
O advogado de Afkari, Hassan Younesi, disse à CNN que filantropos foram até Shiraz para tentar levantar dinheiro para pagar a recompensa, mas era tarde demais – o judiciário informou à família que a sentença já havia sido aplicada e que eles não tinham direito de se despedir.
“Navid foi um dos milhares de iranianos que participaram de manifestações contra a miséria e a repressão política no Irã”, disse a World Players Association (WPA) em nota. “Ele foi injustamente visado pelas autoridades que queriam fazer exemplo de um atleta popular e bem-sucedido para intimidar outros que poderiam ousar exercer seu direito humano de participar em protestos pacíficos.”
A WPA disse ainda que o lutador foi “sentenciado à pena de morte duas vezes após ser torturado até fazer uma falsa confissão”.
Sobre os protestos, Esmaeili disse que a campanha que queria barrar a execução fez com que o judiciário divulgasse uma confissão do crime em vídeo e reconstituições do crime atuadas pelo próprio lutador para a TV estatal IRIB.
O caso chamou atenção para além do círculo esportivo. Anistia Internacional e Human Rights Watch pediram intervenção internacional e um novo julgamento.
Donald Trump também pediu que os líderes iranianos poupassem a vida de Afkari. “Fiquei sabendo que o Iran pode executar um grande e popular wrestler, Navid Afkari, por manifestar contra o governo nas ruas”, tuitou. “Aos líderes do Iran, ficaria muito grato se vocês poupassem a vida deste jovem. Obrigado.”