Análise: O “pacifismo” que Lula vê na China
Lourival Sant'Anna, analista internacional da CNN, critica a visão do presidente brasileiro sobre a política externa chinesa e suas implicações globais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado uma visão controversa sobre o papel da China no cenário internacional, particularmente em relação à paz e à diplomacia. Essa perspectiva foi avaliada criticamente pelo analista de internacional Lourival Sant’Anna durante o WW desta quarta-feira (20)
Segundo Sant’Anna, é preocupante a qualidade de algumas parcerias que o Brasil está estabelecendo com a China. O analista destaca que a colaboração no projeto Space Sail, por exemplo, está longe de ser uma alternativa viável à Starlink, sistema de comunicação por satélite desenvolvido pela SpaceX.
Questionamentos sobre o “pacifismo” chinês
O ponto mais crítico da análise de Sant’Anna refere-se às declarações de Lula sobre a ordem internacional. O presidente brasileiro afirmou que “China e Brasil antepõem a paz, a diplomacia e o diálogo” em um mundo marcado por conflitos armados e tensões geopolíticas.
Sant’Anna questiona essa visão, argumentando: “Como assim a China antepõe a paz, a diplomacia e o diálogo?” O analista enumera uma série de ações agressivas da China, incluindo ameaças a Taiwan, apoio à Rússia na invasão da Ucrânia, e contestações territoriais envolvendo Filipinas e Japão.
Posicionamento sobre conflitos internacionais
O analista também critica a postura do presidente chinês Xi Jinping em relação à crise na Ucrânia. Segundo Sant’Anna, a afirmação de Xi de que “não existe uma solução simples para um assunto tão complexo” é uma forma de justificar a invasão russa.
“A Rússia não está ameaçada, então o que está por trás dessa visão do Xi Jinping e que é a do Lula também, é de que a Ucrânia, de alguma forma, não tem culpa ou o Ocidente por ter sido ela invadida”, argumenta Sant’Anna.
O especialista também questiona a legitimidade da China ao pedir um cessar-fogo em Gaza, lembrando que o país asiático apoia o Irã, um dos principais atores no conflito. “A China é um enabler do Irã. Sem a China, o Irã não estaria de pé”, afirma.
Sant’Anna conclui sua análise expressando perplexidade diante da percepção de Lula sobre o suposto pacifismo chinês: “Que tipo de pacifismo é esse que o presidente Lula identifica na China e vê refletido o pacifismo brasileiro na China, eu não consigo ver”.