Amigo relembra “casal maravilhoso” morto em ataque de drone russo em Kiev
“Essas pessoas amavam a vida”, disse Anna Petrukova sobre Victoria Zamchenko e seu marido Bohdan, ambos de 34 anos


Uma mulher grávida e seu marido, mortos em Kiev pelo que autoridades ucranianas disseram ser um ataque de drone russo “kamikaze” eram inseparáveis, como “yin e yang”, disse um amigo próximo do casal à CNN.
“Essas pessoas amavam a vida”, disse Anna Petrukova sobre Victoria Zamchenko e seu marido Bohdan, ambos de 34 anos, que ela descreveu como um “casal maravilhoso”.
“Eles tinham muitos planos — sonhavam com sua própria casa, filhos, uma família completa, viagens. Eles tinham planos muito grandes para esta vida”, disse Petrukova.
Os Zamchenkos morreram em casa em seu apartamento em Kiev na segunda-feira (17), após uma enxurrada de ataques de drones “kamikaze” lançados pela Rússia e fabricados pelo Irã, segundo autoridades ucranianas.
Victoria Zamchenko estava grávida de seis meses do primeiro filho do casal.
Os drones desempenham um papel significativo no conflito desde que a Rússia lançou sua invasão em larga escala da Ucrânia no final de fevereiro, mas seu uso aumentou desde que Moscou adquiriu novos drones do Irã durante o verão.
Ao contrário dos drones militares mais tradicionais, maiores e mais rápidos que retornam à base após lançar mísseis, os drones “kamikaze” são projetados para colidir com um alvo e explodir, detonando sua ogiva e destruindo os drones no processo.
Os militares ucranianos e a inteligência dos EUA dizem que a Rússia está usando drones de ataque feitos pelo Irã. Autoridades dos EUA disseram à CNN em julho que o Irã começou a exibir drones da série Shahed para a Rússia no aeródromo de Kashan, ao sul de Teerã, no mês anterior.
Em agosto, autoridades dos EUA disseram que a Rússia havia comprado esses drones e estava treinando suas forças para usá-los. Segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Rússia encomendou 2.400 drones Shahed-136 do Irã.
“Yin e Yang”
Os Zamchenkos estão entre as pelo menos cinco pessoas mortas nos ataques de drones russos em Kiev na segunda-feira, que enviaram ondas de choque pela capital ucraniana, danificando prédios residenciais e enterrando civis sob os escombros. Pelo menos três pessoas morreram em ataques separados na terça-feira.
Petrukova, que estava em contato por telefone com Victoria Zamchenko poucos minutos antes de sua morte, disse que os primeiros ataques de drones na segunda-feira prenderam o casal em seu apartamento.
“Eles não podiam mais sair de casa porque havia um impacto na [usina térmica] bem em frente”, lembrou Petrukova. “Então eles estavam sentados no corredor.”
“A última mensagem dela foi às 8h18 [quando] ela ouviu mais dois hits. Depois disso, obviamente, houve um quinto. E a conexão com ela foi perdida.”
Petrukova acrescentou que o casal estava pensando em deixar a cidade, depois que as janelas de seu apartamento foram explodidas em um ataque na semana passada.
Victoria Zamchenko retornou a Kiev em agosto de sua cidade natal de Rinve, no oeste da Ucrânia. Ela havia perdido seu trabalho como sommelier em uma loja de vinhos local, disse Petrukova.
“Ela era uma pessoa alegre, altamente inteligente, cheia de alma, engraçada e profunda”, disse Petrukova sobre sua amiga. “Sempre tivemos algo para falar e algo para ficar em silêncio.”
Juntos desde os tempos de universidade, os Zamchenkos eram “inseparáveis”, como “yin e yang”, disse Petrukova.
“É impossível imaginá-los separadamente. Eles sempre deram as mãos, sempre se abraçaram. Havia muita ternura e calor entre eles. Era sempre um prazer estar perto deles. Eles eram pessoas divertidas.”
Ivana Kottasová, da CNN, contribuiu com a reportagem.