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    Olimpíadas 2020 dia #3: Abertura minimalista, tecnológica e vazia

    Cerimônia fez referência à pandemia, às tradições japonesas e à cultura pop; a tenista Naomi Osaka foi a responsável por acender a pira olímpica

    Pira olímpica

    A estrela japonesa do tênis, Naomi Osaka, foi a escolhida pelo comitê organizador local para acender a pira das Olimpíadas de 2020.

    Nascida na cidade de Osaka de mãe japonesa e pai haitiano-americano, a quatro vezes campeão de Grand Slam se mudou para os Estados Unidos aos 3 anos.

    Recentemente, a jornalista especializada no esporte Akatsuki Uchida a chamou de “um ícone de uma nova geração no Japão, mais diversificada”.

    Pictogramas ‘animados’

    Em um dos momentos mais descontraídos da cerimônia, três atores fizeram uma encenação vigorosa no estilo anime a partir dos pictogramas de cada esporte.

    Foi uma deferência a uma inovação feita nos Jogos de Tóquio em 1964 para ajudar os estrangeiros que não entendiam japonês – e que agora se tornou uma tradição olímpica, com cada nação anfitriã criando seu próprios pictogramas para os jogos.

    Em momento descontraído, atores encenam os pictogramas oficiais das Olimpíadas
    Em momento descontraído da cerimônia, atores encenam os pictogramas oficiais das Olimpíadas de 2020
    Foto: Ashley Landis – 23.jul.2021/AP

    Espetáculo nos céus

    1.800 de drones que sobrevoaram o estádio nacional de Tóquio, após o desfile das delegações, se movimentaram de forma a exibir tanto o logo dos Jogos de 2020 quanto um globo, simbolizando a união de todas as nações nas Olimpíadas.

    Além de altamente tecnológico, como era de se esperar de um evento japonês, a exibição – que teve o espaço aéreo no entorno da arena fechado para evitar incidentes – foi um verdeiro espetáculo nos céus de Tóquio.

    Drones sobre o estádio nacional, em Tóquio, formaram a imagem de um globo
    Drones que sobrevoaram o estádio nacional, em Tóquio, formaram a imagem de um globo
    Foto: Charlie Riedel – 23.jul.2021/AP

    A volta dos ‘besuntados’ 

    De volta, em toda sua glória sem camisa e besuntado em óleo, Pita Taufatofua, o porta-bandeira de Tonga nas Olimpíadas de Tóquio, mais uma vez aumentou o calor nos Jogos.

    Taufatofua chamou atenção do mundo nas Olimpíadas do Rio de 2016 usando roupas tradicionais de Tonga e coberto de óleo de coco. Ele também competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang em 2018, representando Tonga no esqui cross-country (e sim, ele apareceu sem camisa naquela cerimônia de abertura).

    Este ano, porém, Taufatofua não foi o único competidor a desfilar sem camisa: Rillio Rio Rii, porta-bandeira de Vanuatu, também desfilou em Tóquio sem camisa e coberto de óleo.

    Pita Taufatofua, de Tonga, desfila sem camisa na abertura das Olimpíadas de 2020
    Acompanhado de Malia Paseka, Pita Taufatofua, de Tonga, desfila sem camisa na abertura das Olimpíadas de 2020
    Foto: Hannah McKay – 23.jul.2021/Pool Photo via AP

    Cadê a máscara, Quirguistão e Tajiquistão?

    A equipe olímpica do Quirguistão desfilou, quase inteiramente, sem máscara na cerimônia de abertura das Olimpíadas, um contraste estranho com a maior parte das nações que os precederam usando o equipamento de proteção – de acordo com os protocolos contra a Covid-19.
    Apenas um dos atletas do país da Ásia Central cobriu o rosto, com os outros membros da pequena delegação, incluindo seus dois porta-bandeiras, acenando e sorrindo ao entrar no estádio.

    Pouco depois, a equipe do Tajiquistão também marchou sem máscara, enquanto os dois porta-bandeiras do Paquistão também optaram por não cobrir o rosto, ao contrário da grande maioria dos outros participantes da cerimônia.

    Parte da delegação do Quirguistão desfilou sem máscara em Tóquio
    Contrastando com demais atletas, parte da delegação do Quirguistão desfilou sem máscara em Tóquio
    Foto: Jamie Squire – 23.jul.2021/Getty Images

    Animação argentina

    Uma das primeiras delegações a desfilar no estádio nacional de Tóquio, a delegação da Argentina entrou no estádio nacional animada e deixou de respeitar, em vários momentos, o distanciamento social – todos os atletas, no entanto, usavam máscara de proteção.

    Por outro lado, delegações como a dos Emirados Árabes Unidos (UEA), por exemplo, seguiram essa recomendação à risca, com seus representantes desfilando com uma margem de segurança.
    Em comum, tanto entre os animados argentinos quanto entre os comedidos emiradense, além de muitas outras nações, claro, estava o uso de telefones para registrar cada momento da cerimônia.

    Atletas da Argentina festejaram durante desfile no estádio nacional de Tóquio
    Atletas da Argentina festejaram durante desfile no estádio nacional de Tóquio
    Foto: Patrick Semansky – 23.jul.2021/AP

    Referência a 1964 nos anéis olímpicos

    A cerimônia contou com fogos de artifício em índigo e branco, as cores do emblema dos Jogos, e deu um aceno à tradição japonesa representada por gigantescos anéis olímpicos de madeira ligados aos Jogos de 1964, também sediados em Tóquio.

    Os anéis de 2020 foram construídos com madeira de árvores que cresceram a partir de sementes carregadas por atletas de nações participantes das Olimpíadas sediadas pelo país há 57 anos.

    Arcos olímpicos são carregados para o centro do estádio nacional, no Japão
    Arcos olímpicos são carregados para o centro do estádio nacional, no Japão
    Foto: Morry Gash – 23.jul.2021/AP

    Como esperado, estádio vazio

    Adiada por um ano, os organizadores foram forçados a tomar a medida sem precedentes de realizar as Olimpíadas sem torcida.

    A cerimônia de abertura recapitulou o caminho do Japão para os Jogos e os desafios que o mundo enfrenta desde a escolha da capital japonesa como sede, em 2013.

    O vídeo de abertura mostrava como o coronavírus afetou 2020, com bloqueios forçando o adiamento sem precedentes apenas quatro meses antes da estreia dos Jogos e desencadeando um período de preparação isolada dos atletas.

    Foi feito um momento de silêncio para “todos os familiares e amigos pedidos”, especialmente para a Covid-19.

    Construído para mais de 60 mil pessoas, estádio nacional recebeu só 950 pessoas
    Construído para receber mais de 60 mil pessoas, estádio nacional foi ocupado por apenas 950 convidados
    Foto: Charlie Riedel – 23.jul.2021/AP

    Protesto nas ruas

    Antes do início da cerimônia de abertura das Olimpíadas, manifestantes foram às ruas de Tóquio para expressar sua oposição à realização dos Jogos.

    Os manifestantes marcharam por algumas das ruas mais movimentadas da capital japonesa com faixas para se expressar contra o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a decisão dos organizadores de Tóquio 2020 de sediar os Jogos apesar da pandemia do novo coronavírus.

    Manifestantes contrários aos Jogos Olímpicos pedem o cancelamento dos Jogos
    Manifestantes contrários aos Jogos Olímpicos pedem o cancelamento dos Jogos
    Foto: Ryosuke Uematsu – 23.jul.2021/Kyodo News via AP

    Homenagem a israelenses

    Os atletas olímpicos israelenses mortos por atiradores palestinos durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, foram lembrados na cerimônia de abertura da Olimpíada de 2020 com um momento de silêncio, na primeira vez que isso aconteceu durante uma cerimônia de abertura de uma Olimpíada.

    As famílias das 11 vítimas do ataque pediam há tempos que o Comitê Olímpico Internacional (COI) realizasse um momento de silêncio durante as cerimônias de abertura dos Jogos, mas até esta sexta este pedido vinha sendo recusado.

    Delegação de Israel durante cerimônia de abertura das Olimpíadasde 2020
    Delegação de Israel durante cerimônia de abertura das Olimpíadasde 2020
    Foto: Marko Djurica – 23.jul.2021/Reuters

    Ordem dos desfiles

    Espectadores da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2020 tiveram que se acostumar com uma inusitada diferença em comparação com Jogos anteriores: a ordem dos desfiles.
    Isso porque eles foram feitos de acordo com o alfabeto japonês, o que colocou o Iêmen logo depois de Andorra, por exemplo – e fez o Brasil ser o 150º a desfilar.

    Além de dois alfabetos – estritamente falando, silabários – compostos por 46 caracteres cada para escrever os sons da língua moderna, o japonês escrito também usa caracteres importados da China – cerca de 2.000, que são ensinados no ensino médio e são necessários para a leitura básica de jornais e documentos oficiais.

    A ordem segue a pronúncia japonesa sílaba por sílaba: a, i, u, e, o, ka, ki, ku, ke, ko e assim por diante através da lista de consoantes emparelhadas com as cinco vogais.

    Delegação do Japão encerrou desfile na cerimônia de abertura das Olimpíadas
    Liderada por Yui Susaki e Rui Hachimura, delegação do Japão encerrou desfile na cerimônia de abertura das Olimpíadas
    Foto: Natacha Pisarenko – 23.jul.2021/AP