Comitê Olímpico apoia participação de mulher trans nos Jogos
Comitê informou que, de acordo com as regras atuais, ela pode competir. Mas, segundo o COI, as regras devem ser revistas no futuro


O Comitê Olímpico Internacional apoiou neste sábado (17) a decisão da Nova Zelândia de permitir a halterofilista transgênero Laurel Hubbard de participar da Olimpíada de Tóquio, apesar das críticas.
O comitê informou que, de acordo com as regras atuais, ela pode competir. Mas, segundo o COI, o código deve ser revisto no futuro.
Hubbard deve se tornar a primeira atleta transgênero a competir nos Jogos depois de ser selecionada para a equipe da Nova Zelândia na categoria superpesado feminino de até 87 kg.
A inclusão da mulher de 43 anos causou divisão e críticas, com seus apoiadores saudando a decisão, enquanto críticos questionaram a justiça de mulheres trans competindo contra mulheres cisgênero (as que nasceram mulheres).
“As regras de qualificação foram estabelecidas pela Federação Internacional de Halterofilismo antes do início das qualificações”, disse o presidente do COI, Thomas Bach. “Você não pode mudá-las durante as competições em andamento.”
Bach disse que as regras seriam revistas com todas as partes interessadas envolvidas, a fim de definir novas diretrizes no futuro.
“Ao mesmo tempo, o COI está em uma fase de apuração com todas as diferentes partes interessadas para revisá-las e, finalmente, apresentar algumas diretrizes, que não podem ser regras, porque esta é uma questão em que não existe uma decisão que se aplique a todo caso”, disse ele em entrevista coletiva. “É diferente de esporte para esporte.”
O COI abriu caminho em 2015 para mulheres trans competirem nos Jogos na mesma categoria que mulheres cis, desde que seus níveis de testosterona fiquem abaixo de 10 nanomoles por litro por pelo menos 12 meses antes de sua primeira competição.
Alguns cientistas disseram que as diretrizes fazem pouco para mitigar as vantagens biológicas das pessoas que passaram pela puberdade como homens, como a densidade óssea e muscular.
Os defensores da inclusão de pessoas trans argumentam que o processo de transição diminui essa vantagem consideravelmente e que as diferenças físicas entre os atletas significam que nunca existe um campo de jogo verdadeiramente nivelado no esporte.