Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Steven Spielberg lança primeiro musical da carreira e investe em atores latinos

    A primeira adaptação do clássico da Broadway, lançada em 1961 pelo diretor Robert Wise, e ganhou 10 Oscars, mas recebeu críticas por ter elenco de atores brancos

    Debora Sandercolaboração para a CNN

    Chega aos cinemas na próxima quinta-feira (9) o novo filme do premiado cineasta norte-americano Steven Spielberg: “Amor, Sublime Amor”, uma releitura do musical da Broadway criado em 1957 pelo compositor Leonard Bernstein.

    Este é o primeiro musical da extensa filmografia de Spielberg, diretor de clássicos como “E.T. – O Extraterrestre”, “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan”, e tantos outros.

    O cineasta declarou em entrevistas que a realização de uma releitura de “Amor, Sublime Amor” é um desejo de infância. “Quando eu escutei o álbum de ‘West Side Story’ [título original] pela primeira vez, eu tinha 10 anos de idade, mas isso nunca desapareceu. Eu pude reconhecer esse sonho e guardar uma promessa para mim mesmo. Preciso fazer um West Side Story”, afirmou o diretor.

    O enredo, um Romeu e Julieta focado nas tensões raciais dos Estados Unidos dos anos 1950, conta a história dos protagonistas María e Tony, que integram gangues rivais em Nova York – os Sharks, de origem porto-riquenha, e os Jets, de origem europeia.

    Em 1961, o cineasta Robert Wise dirigiu a primeira adaptação audiovisual da história, em filme que conquistou 10 Oscars. Apesar do sucesso de público e crítica, a baixa inclusão de atores de origem latina no elenco foi malvista ao longo dos 60 anos que se passaram, além da polêmica envolvendo a atriz porto-riquenha Rita Moreno, que teve sua pele escurecida para interpretar a personagem Anita.

    A boa notícia é que Steven Spielberg parece ter levado a questão da diversidade em maior consideração na produção que estreia na próxima semana: todos os personagens da gangue Sharks são interpretados por atores de origem latina.

    Além disso, de acordo com a Agência France Press, muitos dos diálogos do filme são integralmente em espanhol. “A língua espanhola tinha que existir (nas telas) na mesma proporção que o inglês”, destacou o diretor de 74 anos durante coletiva de imprensa na última terça-feira.

    A atriz Rita Moreno, hoje com 89 anos, volta às telas nesta releitura da história no papel de Valentina, uma personagem que não existia no musical original, mas que Spielberg tomou a liberdade de criar.

    “A língua espanhola tinha que existir na mesma proporção que o inglês”, diz Spielberg/ Twentieth Century Fox Film Corporation

    A personagem Anita, que consagrou Rita Moreno com o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1961 – prêmio até então inédito para uma mulher latina – será, desta vez, interpretada por Ariana DeBose. Já os protagonistas María e Tony ficaram com a estreante Rachel Zegler e com Ansel Elgort, respectivamente. O ator da Broadway David Alvarez interpreta Bernardo na nova versão da história.

    Segundo o diretor Steven Spielberg, o filme foi gravado em lugares de Nova York que mudaram muito pouco desde os anos 1960. “Os efeitos especiais consistiram simplesmente em remover digitalmente os aparelhos de ar-condicionado, as antenas de satélite e as barreiras nas janelas”, revelou.

    Além da guerra racial retratada no filme, a trama toca em questões sociais e econômicas presentes naquele tempo histórico, como o risco de perda de territórios pela especulação imobiliária. À imprensa, a veterana Rita Moreno afirmou que “Este filme é mais político do que o original”.

    Tópicos