Dólar sobe a R$ 5,75 com Trump e medidas para alimentos; bolsa avança
Moeda americana registrou, na quarta-feira (5), a maior queda desde outubro de 2022 após flexibilização de tarifas


O dólar à vista fechou as negociações desta quinta-feira (6) em leve alta ante o real, depois das fortes perdas da véspera, com investidores demonstrando cautela à medida que seguem de olho em notícias sobre os planos tarifários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em dados da maior economia do mundo.
O mercado também fica de olho em medidas para conter a alta nos preços dos alimentos.
No fim da sessão, o dólar à vista apresentou alta de 0,07%, cotado a R$ 5,7598 na venda. Na quarta-feira (5), a moeda norte-americana fechou em baixa de 2,72%, a R$ 5,7558, em um recuo de R$ 0,16 ante o fechamento de sexta-feira (28).
Também com viés mais estável, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, finalizou o pregão com ganhos de 0,25%, a 123.357,55 pontos.
A baixa volatilidade da moeda norte-americana neste início de sessão ocorria um dia depois de sua maior perda diária no Brasil desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando fechou em baixa de 2,72%, a R$ 5,7558, em um recuo de 16 centavos de real ante o fechamento de sexta-feira.
Entre os principais motivos para o movimento de quarta-feira estiveram um desmonte de posições defensivas realizadas antes do feriado do Carnaval, quando investidores buscaram proteção antes do fechamento dos mercados na segunda (3) e na terça-feira (4), e a forte queda do dólar no exterior.
Os mercados globais têm se concentrado nos crescentes sinais de desaceleração da economia norte-americana, como reforçado pelo relatório de emprego da ADP na véspera, e na política comercial de Trump, que deu início a novos conflitos comerciais com Canadá e México ao impor tarifas de importação de 25% aos dois parceiros comerciais na terça-feira.
Trump concordou na quarta em adiar por um mês as tarifas sobre alguns veículos fabricados na América do Norte após uma ligação com os CEOs de General Motors e Ford e com o presidente da Stellantis.
As montadoras pediram ao presidente que renunciasse às tarifas de 25% sobre México e Canadá para veículos que estivessem em conformidade com as regras do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA) de 2020.
Nesta sessão, os agentes financeiros também digerem os dados de pedidos iniciais de auxílio-desemprego e de balança comercial nos EUA.
O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu mais do que o esperado na semana passada, sugerindo que o mercado de trabalho permaneceu estável em fevereiro, embora haja turbulência à frente devido às tarifas sobre as importações e aos profundos cortes nos gastos do governo.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 21.000 na semana encerrada em 1º de março, para 221.000 em dado com ajuste sazonal, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira.
Também está em foco a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
O BCE cortou as taxas de juros conforme esperado nesta quinta-feira, e manteve a porta aberta para mais reduções, mesmo com a iminente guerra comercial com os Estados Unidos e os planos para aumentar os gastos militares que podem provocar a maior reviravolta na política econômica da Europa em décadas.
Afrouxando a política monetária pela sexta vez desde junho, o BCE reduziu sua taxa de depósito para 2,5%, em um aceno à desaceleração da inflação e à fraqueza do crescimento, e disse que os juros continuam restringindo o crescimento, mesmo que menos do que no passado.
A expectativa do mercado era que a taxa de juros fosse reduzida em mais 0,25 ponto percentual, em meio à fraqueza da economia da zona do euro.
Em relação às questões comerciais, a expectativa é por telefonema entre Trump e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para tratar das recentes tarifas do presidente norte-americano sobre o país vizinho.
Contexto nacional
Na cena doméstica, o mercado aguarda novas possíveis trocas de ministros do governo Lula, após o anúncio, na semana passada, de substituições no Ministério da Saúde e na Secretaria de Relações Institucionais.
Além disso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve anunciar medidas de enfrentamento à inflação de alimentos.
Peso da alta dos preços dos alimentos é ainda maior para baixa renda
*Com informações de Reuters e Agência Estado