Recuperação econômica de países europeus pode sinalizar fim de recessão na região em 2023
PIB francês sobe 0,5% e Espanha cresce em 0,4%; Alemanha estagna mas apresenta melhora


Um crescimento econômico sólido registrado na França e na Espanha e a recuperação lenta da Alemanha sinalizam que a zona do euro está saindo da recessão que começou no final de 2022.
Dados oficiais mostraram que o PIB francês subiu 0,5% no período de abril a junho, em comparação com o primeiro trimestre de 2023, impulsionado por um forte desempenho do comércio exterior.
Economia europeia vem se recuperando desde junho
“As exportações se recuperaram neste trimestre, assim como as importações em menor grau”, disse o escritório nacional de estatísticas da França em um comunicado.
A Espanha registrou crescimento do PIB de 0,4%, apenas um pouco mais fraco do que no primeiro trimestre.
A Alemanha estagnou, mas foi uma melhora em relação aos dois trimestres anteriores, quando a maior economia da Europa contraiu.
“A despesa de consumo final das famílias estabilizou no 2º trimestre de 2023 após o fraco semestre de inverno”, disse o escritório de estatísticas alemão em comunicado.
Os números do PIB do segundo trimestre para a zona do euro como um todo serão publicados na segunda-feira (31).
“Esperamos uma expansão modesta no PIB da zona do euro após dois trimestres fracos”, disse a Oxford Economics em uma nota publicada na sexta-feira (28).
“Os dados nacionais divulgados até agora apontam para uma possível pequena surpresa positiva, principalmente graças ao crescimento surpreendentemente forte na França”, reforça a nota.
Retomada comedida
Mesmo que a expectativa se confirme e a região esteja crescendo novamente, após dois trimestres consecutivos de contração, dados recentes de pesquisas sugerem que uma aceleração acentuada da atividade econômica é improvável, apesar do alívio das pressões inflacionárias e da possibilidade de que as taxas de juros estejam próximas de seu pico.
Uma pesquisa com analistas profissionais publicada pelo Banco Central Europeu na sexta-feira (28) mostrou que as expectativas para o crescimento do PIB da zona do euro este ano permaneceram inalteradas em 0,6%.
Já as projeções para 2024 foram ligeiramente reduzidas para 1,1%.
A inflação mais baixa e os salários em alta sustentavam o consumo, mas as taxas de juros mais altas e a incerteza sobre novos aumentos estavam desacelerando o investimento.
“O encolhimento causado pela baixa do setor manufatureiro foi visto como agravador da alta das taxas, além dos ventos contrários da recuperação chinesa, que foi mais lenta do que o esperado. No entanto, os entrevistados consideraram a resiliência do setor de serviços como contraponto parcial a essa fraqueza e, portanto, mantiveram amplamente suas expectativas anteriores de crescimento real do PIB em 2023”, afirmou o BCE.
Apenas 7% dos analistas esperam que a zona do euro sofra outra recessão, ou dois trimestres consecutivos de contração, entre agora e o primeiro trimestre de 2024.
Taxa de juros em alta
O BCE elevou as taxas de juros na zona do euro para 3,75% na quinta-feira (27), igualando a taxa mais alta desde o lançamento do euro em 1999. O movimento dividiu os investidores sobra a pausa ou seguimento da alta das taxas no futuro.
“Temos a mente aberta sobre quais serão as decisões em setembro e nas reuniões subsequentes”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, a jornalistas, acrescentando que “podemos aumentar [ou] manter”.
No entanto, os cortes nas taxas não estão sobre a mesa. “Isso é um não definitivo”, disse Lagarde.
A demanda por empréstimos comerciais caiu para uma mínima recorde no segundo trimestre, de acordo com uma pesquisa publicada pelo BCE na terça-feira (25).
O relatório também constatou que os bancos apertaram ainda mais os padrões de crédito em todas as categorias de empréstimos.
Separadamente, dados de pesquisas divulgados na segunda-feira (24) mostraram que a atividade empresarial na zona do euro contraiu no ritmo mais rápido em oito meses em julho.
Uma leitura inicial do Purchasing Managers’ Index (Índice de Gerentes de Compras em tradução literal), que acompanha a atividade nos setores de manufatura e serviços, caiu para 48,9 de 49,9 em junho. Leituras abaixo de 50 indicam contração.