Equipe econômica divulga programas de socorro a pequenas e médias empresas
Governo escolhe cinco setores “mais afetados” da economia para facilitar o fornecimento de crédito


A equipe econômica anunciou, nesta segunda-feira (27), dois novos programas de socorro a pequenas e médias empresas, por meio da facilitação de crédito. Segundo o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, uma das medidas que está sendo preparada terá como foco cinco setores críticos, que teriam sido mais afetadas pela crise da COVID-19. “A ideia é que as soluções sejam pelo setor privado, com apoio do setor público. Que permitam que bancos privados e também públicos possam oferecer às empresas de maneira que elas continuem operando, mas sem envolver dinheiro público”, explicou.
Além do setor de aviação, setor automotivo, varejo não alimentício e não farmacêutico (lojas de roupas e eletrodomésticos), setor sucroalcooleiro e setor de energia elétrica, a equipe econômica deve identificar, em uma reunião ainda nesta segunda-feira, mais três ou quatro setores aos quais a medida deverá atender. Carlos da Costa já adiantou que as empresas beneficiadas deverão ter lucro superior a R$ 300 milhões. A informação foi dada em coletiva de imprensa para detalhar a Medida Provisória 958, publicada na edição desta segunda-feira do Diário Oficial da União (DOU), que, até 30 de setembro, reduz a exigência de documentos para empréstimos bancários.
Ele também comentou que está em estudo a liberação de uma parcela do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para empréstimos à pequenas e médias empresas. “Para financiamento de capital de giro para médias empresas. O valor ainda está sendo estudado. Será um fundo alavancado pelo mercado. Cada real colocado no FGI será multiplicado por cinco, seis ou sete vezes”, disse. O capital de giro é a quantia em caixa que uma empresa deve ter para operar regularmente.
O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, também destacou que outras medidas legislativas para a manutenção do emprego estão em estudo e devem ser anunciadas nos próximos dias. “Estamos mantendo empregos quando a continuidade da atividade é possível e quando ela não é possível, com a suspensão de contratos ou redução de jornada. Já chegamos a mais de 4 milhões de empregos conservados com a MP 936 (que permite um acordo entre empregados e empresas para a redução de jornada ou suspensão de contrato)”, observou.
Bianco afirmou ainda que a MP 958 é importante e também é uma medida da caixa de ferramentas do governo para ajudar a proteger os empregos em meio a crise econômica cauda pela pandemia da COVID-19. De acordo com ele, na próxima terça-feira (28), o governo federal trará um balanço dos impactos da doença no mercado de trabalho. “Amanhã divulgaremos dados do seguro-desemprego que mostrarão os efeitos da pandemia no mercado de trabalho. Mas estamos tendo êxito na manutenção de empregos”, reforçou.
Retomada da economia
Carlos da Costa defendeu ainda a reabertura do comércio brasileiro. “Precisamos voltar a produzir. Não adianta conceder crédito se as empresas não conseguirem operar”, argumentou. O secretário de Produtividade exemplificou o plano para a retomada da atividade econômica com os clubes de futebol. Segundo ele, a equipe econômica tem conversado com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com os times para organizar a retomada dos jogos.
Sem definição de uma data, Carlos da Costa disse que é preciso espera o melhor “timing” para isso. “O que a gente pode dizer é que será em breve, porque o povo brasileiro está em casa, quer assistir o seu jogo de futebol, os campeonatos têm que continuar. E óbvio, assim que as condições forem propícias, eles têm que continuar”, disse.
Ele também adiantou que a os jogos devem ser, em um primeiro momento, a portões fechados. “Nossa preocupação principal é com a saúde, seguindo protocolos para preservar também a saúde dos jogadores, do bandeirinha, dos massagistas. Terá protocolo com testes, inclusive para jornalistas. Não tem por que impedirmos as empresas, desde que não tenha impacto na saúde, deixar de funcionar”, completou.