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    Dívida pública avança 3,30% em fevereiro, diz Tesouro

    Crescimento foi impulsionado pela emissão líquida e pela apropriação positiva de juros

    Cristiane Nobertoda CNN

    A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil avançou 3,3% em fevereiro e o estoque alcançou R$ 7,492 trilhões, ante R$ 7,252 trilhões apurados em janeiro, em valores nominais, excluindo a alta da inflação no período, segundo os dados do Tesouro Nacional, divulgados nesta sexta-feira (28).

    De acordo com a pasta, o crescimento foi impulsionado pela emissão líquida, no valor de R$ 155,95 bilhões, e pela apropriação positiva de juros, que adicionou R$ 70,85 bilhões ao montante em fevereiro.

    Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges, a emissão em fevereiro foi o maior valor nominal da série histórica.

    “Em relação à qualidade, é o contrário: a distribuição qualitativa mais equilibrada entre os componentes flutuante, índice de preços e prefixados denota uma qualidade melhor da dívida pública. Basta ver que a gente tem como diretriz, por exemplo, a substituição gradual da parcela de indicadores flutuantes por prefixados e índice de preços”, afirmou.

    No mês, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) teve seu estoque aumentado, passando de R$ 6,95 trilhões em janeiro para R$ 7,177 trilhões. O montante corresponde a 95% do total.

    Ainda de acordo com o Tesouro, foi possível observar uma distribuição mais equilibrada entre os principais indicadores em relação ao ano passado nos três primeiros meses de 2025.

    “Diferindo do que a gente observou no ano passado, as LFTs ainda representaram cerca de 40% do total emitido, mas os prefixados superaram 50% das emissões no próximo RMD [a ser divulgado em abril], e podemos antecipar esses aspectos qualitativos”, explicou o coordenador.

    Com relação ao estoque da dívida pública federal externa (DPFe), houve variação positiva de 4,15% sobre o estoque apurado, encerrando o mês de fevereiro em R$ 314,34 bilhões (US$ 53,75 bilhões). Deste total, R$ 260,98 bilhões (US$ 44,62 bilhões) referem-se à dívida mobiliária e R$ 53,36 bilhões (US$ 9,12 bilhões) à dívida contratual.

    O coordenador destacou a emissão de US$ 2,5 bilhões do título Global 2035, com taxa de 6,75%, apontando que a demanda chegou a US$ 6,5 bilhões no pico da oferta, o que demonstra o apetite dos investidores estrangeiros pelos papéis brasileiros.

    Em fevereiro, a curva de juros local ganhou nível e inclinação em função de incertezas geopolíticas e expectativas quanto à taxa básica de juros. No entanto, em março, a curva perdeu inclinação devido à reprecificação referente à trajetória futura da Selic.

    Segundo o Tesouro, o estoque de não residentes aumentou em R$ 1,8 bilhão e o estoque de Instituições Financeiras subiu em R$ 118,6 bilhões. Ele está incorporando o ciclo de aperto monetário agora e reduzindo a parcela de flexibilização que acabou em maio.

    O custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses aumentou de 11,40% a.a., em janeiro, para 11,57% a.a., em fevereiro. O custo médio do estoque da DPMFi também subiu para 11,06% a.a., enquanto o custo médio da DPFe caiu para 23,30% a.a. já no mesmo período. O custo médio das emissões em oferta pública da DPMFi acumulado em 12 meses também subiu, alcançando 11,92% a.a.

    Helano Borges explicou que os papéis estão incorporando “o ciclo de aperto monetário agora e reduzindo a parcela de flexibilização que acabou em maio”. Por isso as taxas ainda são mais “baixas” que a Selic atual.

    A reserva de liquidez apresentou aumento, em termos nominais, de 19,47%, passando de R$ 743,92 bilhões, em janeiro, para R$ 888,78 bilhões, em fevereiro. O índice de liquidez corresponde a 6,66 meses em fevereiro. “O que traz bastante tranquilidade e graus de liberdade para a gestão da dívida”, afirmou o coordenador.

    Ele também ressaltou que a qualidade da dívida tem melhorado.

    “Se olharmos a estrutura de vencimento, temos emitido valores acima do prazo médio. As emissões recentes têm contribuído para aumentar o prazo médio da dívida, de maneira que eu diria que a qualidade que a gente vem observando ao longo desses três primeiros meses é positiva em relação ao que vimos no ano passado”.

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