Análise: economia dos EUA pode ter grande alívio em setembro
Expectativas por corte de juros aumentaram após desaceleração de inflação


Os norte-americanos que buscam alívio das altas taxas de juros podem não ter que esperar muito mais.
Os preços ao consumidor caíram nos Estados Unidos em junho, marcando a primeira queda desde os primeiros meses da pandemia.
Dados de quinta-feira (11) revelaram que os preços ao consumidor caíram 0,1% em relação a maio. Em uma base anual, a alta dos preços desacelerou para 3% no mês passado, de 3,3% em maio.
A baixa bem-vinda na inflação levou os investidores a melhorarem os ânimos sobre quando Federal Reserve (Fed) poderia começar a cortar as taxas de juros.
As expectativas de Wall Street para um corte de taxa em setembro aumentaram para aproximadamente 93% na quinta-feira, de 73% no dia anterior, de acordo com a ferramebta CME FedWatch.
“Um corte na taxa em setembro deve ser um acordo fechado neste momento”, escreveu em nota Ron Temple, estrategista-chefe de mercado da Lazard.
Economistas do BNP Paribas atualizaram na quinta-feira seu cenário-base para refletir um corte de taxa em setembro, citando a mistura de inflação de junho e dados de empregos. Eles esperam dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2024 – atualmente a taxa esta entre 5,25% e 5,5%.
O Fed tem um mandato duplo: manter os preços estáveis e os níveis de desemprego baixos. O banco central dos EUA começou a aumentar as taxas de juros em 2022 para domar a inflação rebelde, e as mantém no maior patamar em 23 anos desde julho passado.
Os dados de quinta-feira, juntamente com um mercado de trabalho em arrefecimento, mas resiliente, são um sinal encorajador de que o Fed será capaz de cumprir seu mandato duplo e começar a aliviar as taxas altíssimas em setembro.
A economia dos EUA adicionou 206.000 empregos em junho, abaixo de uma contagem revisada para baixo de 215.000 empregos em maio, e a taxa de desemprego ultrapassou 4% pela primeira vez desde novembro de 2021.
Novos pedidos de auxílio-desemprego também aumentaram nas últimas semanas.
O presidente do Fed, Jerome Powell, não deu dicas sobre quando o banco central poderia começar a cortar as taxas durante seu depoimento ao Congresso no início desta semana.
Mas ele reconheceu que a inflação moderou e que o mercado de trabalho está “forte, mas não superaquecido” — um afastamento de apenas alguns meses atrás, quando a inflação mostrou sinais de reaceleração e o mercado de trabalho permaneceu em alta.
Ainda assim, o Fed terá que analisar mais dados antes de sua reunião de setembro, o que pode alterar sua trajetória.
Alguns economistas temem que, se o Fed não cortar as taxas até lá, rachaduras podem começar a se aprofundar no mercado de trabalho.
Alguns investidores estão preocupados de que a economia possa enfraquecer perigosamente mesmo antes disso.
Um corte na taxa em setembro “pode não ser o elixir mágico que alguns investidores estão buscando”, escreveu Brent Schutte, diretor de investimentos da Northwestern Mutual Wealth Management, em nota.