Após sessão volátil, Ibovespa tem alta de 1,49%, sustentado por Vale e bancos
Impactos econômicos do coronavírus e tensões políticas no país estiveram no radar do mercado nesta segunda-feira (13)


Depois de apresentar o melhor desempenho semanal desde 2016 no último período, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta superior a 1% nesta segunda-feira (13). Após trocar de sinal algumas vezes, terminou em alta de 1,49%, a 78.835,82 pontos, na máxima da sessão, puxado pelas ações da Vale e de bancos privados. O volume financeiro totalizou R$ 17,75 bilhões.
Vale ON fechou em alta de 2,98%, tendo de pano de fundo expectativas de que medidas monetárias e fiscais, em decorrência da pandemia da COVID-19, estimulem a demanda por minério de ferro. No setor bancário, Itaú Unibanco PN avançou 2,13% e Bradesco PN encerrou em alta de 2,59%, ajudando a dar suporte ao Ibovespa, enquanto Banco do Brasil ON valorizou-se 1,99%.
Entre as principais altas, Petrobras ON subiu 2,61% e Petrobras PN ganhou 0,65%, mesmo com o fechamento misto nos preços do petróleo no exterior, já que o acordo entre grandes países produtores para um corte histórico de oferta ainda é visto como insuficiente para eliminar receios relacionadas à destruição de demanda causada pela pandemia.
No âmbito político nacional, os investidores monitoraram o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), que afirmou nesta segunda-feira que a votação no Senado da chamada PEC do orçamento de guerra, que separa os gastos com a crise do coronavírus do Orçamento principal, foi adiada para quarta-feira.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, disse que trabalha para votar ainda nesta segunda-feira projeto de socorro aos Estados e municípios, o chamado “Mansueto light”, para o enfrentamento da crise do coronavírus.
O analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, chamou a atenção para a declaração de Maia, de que irá excluir a ampliação dos empréstimos do plano de socorro aos Estados.
“Com a ajuda do governo para resolver a crise, as metas fiscais devem ser descumpridas e isso está gerando grande receio entre os investidores… Essa medida extra de ajuda aos Estados agravaria ainda mais a expectativa sobre o rombo das contas públicas”, afirmou.
Ainda no radar, o governo federal lançará programa de crédito a microempresas via Caixa Econômica Federal, que assumirá o risco de inadimplência para negócios com faturamento anual de até R$ 360 mil que apresentarem histórico de bom pagamento no Simples.
De acordo com alguns profissionais da área de renda variável, a volatilidade no mercado acionário continua elevada.
A equipe do BTG Pactual avalia que, para investidores, não há ainda como se ter um piso de referência, não há fundamentos e apenas muitas incertezas, e a busca por papel neste momento não está mais associada a preço e sim à qualidade de sobrevivência desse ativo.
“No momento, não faz sentido focar em múltiplos, até porque não temos certeza se estarão caros ou baratos e se estão certos ou errados, daqui a uma semana tudo (pode) mudar devido às incertezas”, afirmou em nota enviada a clientes pela área de gestão do banco.
Lá fora
Mesmo após o maior acordo de redução na produção de petróleo da história ter sido firmado entre Opep e Rússia, o preço da commodity permaneceu quase imóvel nas negociações da manhã. A preocupação é que o corte de quase 10% da oferta global não seja suficiente para equilibrar a queda violenta da demanda gerada pelo isolamento social ao redor do mundo.
Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam em queda, com investidores voltando as atenções para o iminente começo de uma temporada de balanços corporativos trimestrais que provavelmente será difícil devido à pandemia de coronavírus. O Dow Jones .DJI caiu 1,39%, o S&P 500 .SPX perdeu 1,01%, e o Nasdaq Composite .IXIC teve alta de 0,48%.
Na China, os índices acionários fecharam em baixa nesta segunda-feira (13), já que os novos casos diários de coronavírus voltaram a aumentar e bateram uma máxima no número de infectados em relação às últimas seis semanas. A província chinesa de Heilongjiang, que faz fronteira com a Rússia, agora é o novo centro de contágio, devido a viajantes infectados vindos do exterior.
*Com informações da Reuters