Montadora vietnamita estreia em Wall Street avaliada em US$ 85 bilhões, maior que Volkswagen e Ford
Fundada em 2017, Vinfast teve salto de 270% no índice Nasdaq


Na última terça-feira (15), a VinFast, uma fabricante de veículos elétricos vietnamita, estreou em Nova York com uma disparada de 270% nas suas ações, depois de se fundir com uma empresa de aquisição de propósito específico (SPAC), a Black Spade Acquisition Co.
No primeiro dia de negociação, os papéis da montadora abriram a US$ 22 (quase R$ 110), mais que o dobro do preço inicial de US$ 10 (cerca de R$ 49). As ações fecharam o pregão a US$ 37 (R$ 184,26) cada.
O aumento impulsionou o valor de mercado da VinFast acima de US$ 85 bilhões (R$ 423,3 bilhões).
A estreante da vez acabou por superar os valores de mercado de grandes montadoras como Volkswagen e Ford, avaliadas em 63,9 bilhões de euros (US$ 69,7 bilhões ou R$ 346,46 bilhões) e US$ 48 bilhões (R$ 239,04 bilhões), respectivamente, de acordo com a Refinitiv.
A companhia
A VinFast ainda é 99% propriedade do homem mais rico do Vietnã, Pham Nhat Vuong, por meio de ações mantidas por sua empresa Vingroup e outras entidades comerciais.
O presidente do Vingroup e da VinFast, viu sua própria fortuna disparar em aproximadamente US$ 39 bilhões (R$ 194,22 bilhões) na terça-feira, de acordo com o índice Bloomberg Billionaires.
Com a disparada nas ações da montadora, a riqueza de Vuong é estimada em cerca de US$ 44,3 bilhões (R$ 220,61 bilhões).
A VinFast foi fundada em 2017 como uma subsidiária da Vingroup, um dos maiores conglomerados do Vietnã. A empresa fabrica SUVs, scooters e ônibus elétricos, que são vendidos no Vietnã e na América do Norte.
O desempenho na estreia torna a VinFast a maior empresa vietnamita listada nos Estados Unidos em valor de mercado.
Em um comunicado, a CEO Thuy Le disse: “Esperamos que a listagem da VinFast inspire e libere maiores oportunidades para as marcas vietnamitas participarem do mercado global”.
Recepção fria dos EUA
Até agora, a empresa lançou quatro modelos de veículos elétricos e entregou cerca de 19.000 carros, de acordo com suas estimativas.
Para efeito de comparação, a Volkswagen vendeu 4,4 milhões de veículos apenas nos primeiros seis meses de 2023, dos quais mais de 321.000 eram elétricos.
VinFast é um nome familiar no Vietnã, onde seus carros se tornaram best-sellers e têm acesso a uma extensa rede de carregamento em mais de 60 cidades e províncias.
Mas a recém-chegada vietnamita teve menos sucesso nos Estados Unidos, onde começou a entregar aos clientes no início deste ano.
Nos últimos meses, a montadora foi atingida por críticas negativas sobre seu SUV elétrico, o VF 8, depois de convidar repórteres americanos para um test drive com o veículo.
As manchetes foram particularmente contundentes, com uma da revista Road & Track chamando o veículo de “simplesmente inaceitável”. Outro da MotorTrend informava ao leitor que era melhor “Devolver [o veículo] ao fabricante”.
Também tiveram comentários mais brandos, lembrando que esse foi o primeiro esforço da empresa em um carro para o mercado dos EUA. Além disso, a VinFast também foi elogiada pela eficiência do motor elétrico do SUV.
Em uma postagem feita na segunda-feira (14) em seu site oficial, a fabricante vietnamita disse que fez melhorias de software com base no feedback “dos proprietários de veículos e da comunidade de revisores automotivos”.
Expansão global
A VinFast não esconde suas ambições globais. Em julho, inaugurou uma nova fábrica na Carolina do Norte, que espera usar como base para as vendas nos Estados Unidos. A empresa diz que a instalação pode eventualmente atingir a capacidade de 150.000 veículos por ano.
A empresa também provocou um lançamento na Europa, dizendo aos acionistas que entrará na região “em breve”.
Em declaração feita na terça-feira, a CEO sugeriu que a empresa usará os ganhos para alimentar sua expansão, dizendo que a listagem “desbloqueia o acesso aos mercados de capitais e importantes caminhos para o desenvolvimento futuro”.
Contudo, a VinFast ainda não é lucrativa. A montadora relatou uma perda de US$ 1,4 bilhão (R$ 6,97 bilhões) nos nove meses até setembro passado.
Além disso, ela carregava cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,45 bilhões) em dívidas no final daquele mês, de acordo com um documento da empresa.
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*Com informações de Peter Valdes-Dapena, da CNN Internacional