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    Para CEO da Accor, COVID-19 mudará o perfil do turismo no Brasil

    Grupo francês já sentiu queda de 80% a 90% no volume dos negócios da segunda quinzena de março até agora. Previsão de retomada a patamares de 2019 é de 18 meses

    Paula Bezerra , do CNN Brasil Business, em São Paulo

     

    Com impactos econômicos a níveis globais, a pandemia do novo coronavírus tem mudado drasticamente os planos e rumos de muitos setores e empresas. No caso do turismo, o tombo deve ser maior do que de outros setores. Afinal, as pessoas mal estão saindo de casa. Segundo estimativas da Organização Mundial do Turismo (OMT), neste ano, o setor sofrerá uma retração de até 30% em todo o mundo. 

    No Brasil, a situação não seria diferente. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o segmento de turismo perdeu R$ 14 bilhões em receita no mês de março, uma queda de 84% no faturamento quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. 

    E essa retração já foi sentida pela multinacional francesa Accor, uma das gigantes do setor hoteleiro. Dona das famosas marcas Ibis, Mercure e Pullman, o grupo francês, que é a maior rede em operação do Brasil, já sentiu queda de 80% a 90% no volume dos seus negócios da segunda quinzena de março até agora. Para o ano, a contração é estimada em cerca de 40% a 50%, quando comparado com 2019.

    Para Patrick Mendes, CEO da empresa para a América do Sul, a pandemia veio como um meteoro que desalinhou os planetas. Isso porque os planos para 2020 eram animadores para o Brasil: após a recessão causada pela crise econômica de 2013-2014 e demora para a retomada, a expectativa era que em 2020 a economia engrenasse. Agora, diante da pandemia, o movimento é o oposto. 

    “A indústria hoteleira no Brasil e na América do Sul estava num patamar de crescimento muito bom em 2019, que se prolongou para o primeiro trimestre de 2020, com crescimento perto de 10%”, disse Mendes em entrevista ao CNN Brasil Business. “Mas, a partir do dia 15 de março, a pandemia desalinhou todos os planetas e a queda foi brutal.” 

    Exemplo disso foi a quantidade de hotéis fechados. Dos 400 hotéis em operação na América do Sul, 300 foram fechados. Países como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia foram os mais afetados pela crise. A expectativa é que a região demore de seis a nove meses para voltar a um patamar de negócios ‘aceitável’, segundo Mendes. Já para se comparar aos dados de 2019, quando o grupo registrou um faturamento global de € 4 bilhões, a previsão é de 14 a 18 meses.

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    “Numa crise dessa que ninguém vivenciou, todo cuidado é pouco e cada dia é uma nova descoberta”, afirma. “Tivemos que nos ajustar rapidamente, rever custos, e avaliar o fechamento dos hotéis, e assim nossa receita caiu. Diferente de um restaurante, ou de empresas que contam com delivery, cada dia fechado para nós é prejuízo: não vendemos e os custos se mantêm.” 

    Turismo pós-pandemia

    De olho na retomada, Mendes afirma que a rede já iniciou o processo de reabertura na China – e vislumbra o afrouxamento do isolamento social no Brasil. 

    Enquanto aguarda as decisões dos governos estaduais e federais, o CEO do grupo Accor já sinaliza que após a retomada, o perfil do turismo será diferente. Assim como na China, Mendes acredita que, como resquício da pandemia, as pessoas terão mais cuidado ao viajar e, por enquanto, não buscarão destinos distantes. 

    Indagado sobre o primeiro ‘setor’ do turismo que aquecerá, Mendes responde: o de negócios. Comerciantes e executivos que viajam a trabalho serão os primeiros a voltar a viajar. Na sequência, famílias que desejam reencontrar entes que vivem em outras cidades estados serão os clientes dos hotéis. Por fim, como exemplo na China, as pessoas passarão a escolher os hotéis resorts. 

    Além disso, Mendes afirma que o dólar alto e o confinamento obrigatório das fronteiras fará com que as pessoas passem a viajar dentro do Brasil, reforçando o turismo doméstico. 

    “A retomada das viagens acontecerá de uma maneira mais longa e complementar. Sairá de business para a volta da socialização”, diz. “Muitas pessoas querem voltar a encontrar os outros, sair das conversas digitais e voltar a socializar. Isso será positivo.”