PL do Aborto: Oposição descarta pressão sobre Lira para votar projeto
Partido de Bolsonaro acatará prazo para discutir proposta, mas rejeita mudanças no texto
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, concorda em discutir por mais tempo o projeto que equipara o aborto de gestantes de 22 semanas ao crime de homicídio.
A informação foi confirmada pelo líder do PL na Câmara, deputado Altineu Côrtes (RJ). O projeto, no entanto, tem apoio da bancada de Bolsonaro, que rejeita qualquer modificação no texto.
Apesar da pressão das bancadas religiosas, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não tem data para pautar o mérito da proposta. A urgência do PL foi votada na última semana sob acordo de segurar a votação do projeto em plenário, dizem líderes.
Para aliados de Lira, o assunto poderá ser discutido em reunião de líderes nesta terça-feira (18), mas dificilmente será levado a votação.
Lira está em negociação com a bancada feminina da Câmara dos Deputados para escolha de uma relatora com perfil moderado. A dúvida ainda é se, ao escolher uma relatora, Lira sinalizariaintenção de pautar o projeto.
A coordenadora da bancada, Benedita da Silva (PT-RJ), que já conversou com Lira sobre o projeto, pode ser indicada à relatoria.
A parlamentar petista é evangélica e já se posicionou contra a criminalização do aborto anteriormente, o que a deixaria em uma situação desconfortável seja com eleitores ou com o governo.
A relatora da proposta poderá sugerir alteração no projeto ou, até mesmo, arquiva-lo, o que já está no radar de algumas deputadas.
Por ora, ministros do governo acreditam que Arthur Lira manterá a palavra e evitará levar o projeto à votação.