José Dirceu ganha apoio de ala do PT para presidência do partido
Suporte faz parte de estratégia de reabilitação política; em conversa com aliados, ex-ministro de Lula descarta interesse e defende retorno à Câmara dos Deputados
Em um movimento recente para reforçar a imagem de um dos dirigentes mais longevos do partido, uma ala do PT passou a defender o nome de José Dirceu para a presidência da legenda em 2025.
Nos bastidores, a candidatura é defendida por integrantes mais antigos da sigla que veem o ex-ministro de Lula como figura conhecida, capaz de reestabelecer o diálogo com a base do partido.
Apesar da torcida, José Dirceu tem descartado a aliados, de maneira veemente, sua candidatura.
Segundo integrantes da legenda, quando questionado, o petista prefere reforçar total apoio ao nome já chancelado por Lula para cadeira. O preferido para suceder Gleisi Hoffmann é Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP).
A estratégia da cúpula petista vai além do cargo de comando da executiva. O trabalho interno é pavimentar o caminho de Dirceu para as eleições de 2026 após o judiciário encerrar processos da Operação Lava Jato contra o petista.
Se tiver a benção de Lula, Zé Dirceu quer concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Até aqui, o ex-ministro tem articulado um trabalho de reabilitação política, principalmente em eventos com a militância petista.
Em viagens pelo Brasil, ele tem ministrado palestras sobre o papel da esquerda e concedido entrevistas veículos da imprensa independente.
No fim do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) encerrou processos abertos contra o petista na Operação Lava Jato. Os ministros também determinaram a extinção da possibilidade de puni-lo diante da prescrição nos casos.
A definição foi dada seguindo decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou em outubro de 2024 todas as decisões e atos tomados pelo ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União).
Em 2016, Dirceu foi condenado a 23 anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A sentença foi assinada por Moro, que apontou o ex-chefe da Casa Civil de Lula como beneficiário de R$ 15 milhões em propinas pagas pela empreiteira Engevix por contrato de obras da Petrobras.