Cardozo: Trump tenderá a retaliar o Brasil por razões ideológicas
“Trump quer fortalecer a extrema direita em todo o mundo e vai utilizar, para isso, o poderio que puder”, diz José Eduardo Cardozo no Grande Debate
Acredito que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenderá a retaliar o Brasil por razões ideológicas, afirmou o comentarista José Eduardo Cardozo no programa O Grande Debate desta quinta-feira (6).
“Trump quer fortalecer a extrema direita em todo o mundo e vai utilizar, para isso, todo o poderio que puder. A perspectiva ideológica estará sempre presente”, defendeu.
“Quem conhece e leu sobre Trump como empresário sabe que ele radicaliza ao extremo para tentar obrigar aquele com quem ele mantém relação a se ajoelhar, ou seja, ele usava o poder que ele tinha no plano empresarial para atingir até aliados. Como governante dos EUA, ele está fazendo a mesma coisa”, continuou.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, teve conversas telefônicas ou encontros pessoais com representantes de pelo menos 58 países em um mês e meio de governo Donald Trump, mas deixou o Brasil fora de sua lista de contatos. O levantamento foi feito pela CNN com base em registros do Departamento de Estado.
Em janeiro, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta a Rubio cumprimentando-o por sua nomeação. Os dois, porém, não se falaram nenhuma vez.
“Trump tem na China um adversário e vê curiosamente na Rússia, não pela Rússia mas por Putin, um aliado. Então, ele tenta se locomover neste cenário tentando isolar a China e dialogar com Putin, que há muito tempo, tem uma boa relação com o presidente dos EUA”, pontuou.
“Digamos que Trump não é simpático a Lula, não é simpático a governos de esquerda e não está disposto a manter boas relações, pelo contrário, se ele pudesse ele implodiria esses países. Essa é a razão, possivelmente, que Lula talvez não queira mostrar uma subserviência a quem obviamente não pretende tratá-lo com a dignidade de chefe de Estado que ele merece, como qualquer chefe de Estado merece”, concluiu.