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    Débora Bergamasco
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    Débora Bergamasco

    Débora Bergamasco é jornalista, com passagem pelas redações de Estadão, Folha, O Globo, Época, IstoÉ e SBT

    Sidônio adota cautela nas negociações de Lula para carne brasileira na Ásia

    Preocupação do ministro com os altos preços do produto no Brasil influenciou a estratégia de divulgação da viagem do presidente; temas como etanol e aviões da Embraer ganharam destaque

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi à Ásia para tentar, após décadas, convencer o governo japonês a liberar a importação de carne bovina brasileira. Essa foi apontada como a principal motivação da viagem em briefings do Itamaraty e em comunicados divulgados pela Presidência da República.

    No entanto, uma preocupação surgiu para o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira: dar ênfase ao roadshow de Lula sobre a comercialização da proteína animal poderia não repercutir bem na opinião pública, que se queixa do preço do produto nas gôndolas em todo o Brasil. Só em 2024, a carne registrou alta de 20,84% no território nacional – o maior aumento em cinco anos.

    Diante disso, a orientação foi diversificar os temas discutidos no exterior e tratar com cautela as falas sobre carne vermelha. Assuntos como etanol e aviões da Embraer ganharam espaço nas divulgações oficiais.

    Lula concluiu nesta semana a visita ao Japão sem um acordo firmado. No entanto, o governo japonês prometeu enviar uma delegação para inspecionar a produção brasileira, segundo informações divulgadas pelo presidente em entrevista coletiva na capital, Tóquio.

    Com o aval de Sidônio, Lula anunciou em suas redes sociais que o mercado do Vietnã será aberto para a carne brasileira: “Depois de muitos anos de tentativas, o primeiro-ministro (do Vietnã) anunciou que finalmente vai comprar a carne brasileira para o mercado do Vietnã. É uma notícia extraordinária e acho que é muito importante para o Vietnã, e é muito importante para o Brasil”, disse o presidente.

    O tema da carne é sensível para os eleitores de Lula. Durante a campanha eleitoral, para exemplificar a melhora na qualidade de vida da população e o aumento do poder de compra, o então candidato usou como uma de suas bandeiras a promessa de que o brasileiro voltaria a “comer picanha”, “comer churrasco”.

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