Análise: como Padilha tem driblado Lira para articular com o Congresso
Ministro negocia diretamente com parlamentares


O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, há algum tempo, precisa driblar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para articulação política do governo com o Congresso Nacional.
Desde o rompimento da relação, resta a Padilha negociar diretamente com parlamentares. Para isso, foca em conversas diárias com a cúpula de partidos e líderes partidários.
Não à toa, o gabinete do ministro no Palácio do Planalto vive cheio de deputados. Tanto que foi apelidado internamente de UPA, Unidade Padilha de Atendimento.
Com isso, a responsabilidade pelo diálogo do governo com Lira acabou terceirizada para ministros como Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).
Chegou-se ao ponto de o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocar um canal direto com ele à disposição do presidente da Câmara.
Ministros já tentaram atuar como bombeiros da situação, puxando o “deixa disso”. Mas Lira está irredutível.
Fato é que a situação se tornou uma pedra no caminho do governo.
Porém, mesmo se Lula estivesse cogitando a mais remota hipótese de substituir o titular das Relações Institucionais, o ataque de Lira joga isso por terra. Pelo menos por ora.
A avaliação do integrante do governo é que Lula não pode nem deve ceder a esse tipo de pressão. Logo, Padilha acaba ganhando ainda mais força para se manter no cargo.
Na sexta-feira (12), o ministro rebateu as críticas. Chamado de “desafeto” e “incompetente” por Lira, Padilha se saiu citanto uma música do rapper Emicida: “Rancor é igual a tumor, envenena a raiz”.