Vacinas e dengue estão entre as missões imediatas de Padilha na Saúde
Segundo aliados próximos, ministro já abriu conversas para acelerar transição na Saúde
Em meio aos preparativos para seu retorno ao comando do Ministério da Saúde, Alexandre Padilha deve ter ao menos duas missões imediatas, de acordo com interlocutores que participam diretamente da troca de comando na pasta: a primeira é implementar o quanto antes medidas que ajudem a evitar que os casos de dengue alcancem um patamar crítico, como ocorreu no ano passado; a segunda é dar eficiência máxima à gestão do estoque de vacinas disponível para a pasta.
Essas duas frentes são apontadas dentro do governo como pontos críticos da gestão de Nísia Trindade, que está de saída da pasta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já externou a conselheiros próximos que enxerga a dengue como ponto de preocupação. No caso das vacinas, o presidente e seus aliados têm sido categóricos: consideram inaceitável que o Ministério da Saúde tenha registrado um crescimento de 22% na perda de imunizantes por causa do vencimento do prazo de validade, revelado pelo jornal O Globo.
Sob Nísia, o ministério atribuía parte das perdas ao recebimento de doses próximas do vencimento, medida herdada da gestão Jair Bolsonaro. Ainda assim, um recuo em relação ao governo passado é visto como crítico do ponto de vista político.
Uma declaração frequente entre aliados de Lula é que um governo que criticou tanto o negacionismo de Bolsonaro sobre a imunização contra Covid-19 não poderia entregar números nesse patamar, sob risco de dar munição à oposição.
Apesar do clima de solidariedade em relação a Nísia Trindade, a avaliação no entorno de Lula é que a troca era inevitável. Mesmo quadros que patrocinaram desde o início a indicação da ex-presidente da Fiocruz ou aqueles que defenderam sua permanência no cargo nos últimos meses cederam nas últimas semanas à tese de que a mudança se fazia necessária.
Nos bastidores do ministério, a avaliação é que a transição na pasta deve se dar de maneira relativamente tranquila. Padilha, segundo os relatos, vai iniciar imediatamente as conversas para que a troca de comando ocorra rapidamente e que as primeiras medidas do novo ministério comecem a sair no curtíssimo prazo. Nísia, segundo os relatos, se dispôs a dar toda a assistência ao sucessor e participará ativamente do processo de transição.