Isenção do IR: governo faz ofensiva no Congresso para evitar desidratação
Ordem é intensificar trabalho de convencimento e dividir méritos do projeto com parlamentares


O governo federal já começou a preparar o terreno para evitar uma desidratação da proposta de reforma do Imposto de Renda (IR), que tem como foco garantir o cumprimento da promessa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil. A ideia é que os esforços sejam colocados em prática com prioridade total pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a nova ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Nos últimos dias, Haddad já conversou com alguns líderes no Congresso, segundo relatos feitos à CNN. E a ideia é que a equipe técnica da Fazenda intensifique nas próximas semanas as conversas para dissipar dúvidas e reforçar os argumentos em relação à mudança.
O principal ponto de atenção é o mecanismo de compensação da isenção do IR, com a taxação de quem tem renda anual superior a R$ 600 mil. Nesse quesito, a reação inicial foi bastante positiva entre líderes governistas. Há o entendimento de que o governo ofereceu uma alternativa mais palatável no que se refere à compensação financeira com a taxação gradual dos mais ricos. Ainda assim, mesmo parlamentares alinhados ao Palácio do Planalto admitem que este será o principal desafio para a articulação política.
Espera-se forte resistência e uma pressão significativa para reduzir a alíquota proposta pela equipe econômica. No projeto apresentado ontem, o governo sugeriu uma alíquota mínima progressiva que alcança 10% da renda, para quem tem renda anual de R$ 1,2 milhão.
Na esperança de reduzir o risco de desidratação, o governo fala em dividir com o Congresso os créditos do projeto. A avaliação é que, em ano pré-eleitoral, os deputados e senadores terão interesse em colocar a digital na isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Daí o discurso, já verbalizado pelo presidente Lula, de que a palavra final virá do Congresso Nacional.
Nos bastidores, líderes governistas mais céticos já falam em alternativas para compensar financeiramente a isenção de até R$ 5 mil. Há sugestões para que o governo aceite uma alíquota menor que os 10% sugeridos ontem, combinada a outras medidas para bancar a isenção. De preferência, que apontem para um esforço do Executivo de cortar na própria carne para pagar a conta.