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    Américo Martins
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    Américo Martins

    Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

    Número de vítimas de guerras e conflitos globais dispara em 2024

    Estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) mostra que cerca de 200 mil pessoas morreram e milhões foram deslocadas em mais de 130 conflitos armados pelo mundo

    Um estudo realizado pelo respeitado Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês) mostra que houve um grande aumento no sofrimento humano e na intensidade das guerras e conflitos globais em 2024.

    A Pesquisa de Conflitos Armados – IISS 2024 revelou que mais de 200 mil pessoas foram mortas em nada menos do que 134 guerras e outros conflitos armados entre 1 de julho de 2023 e 30 de junho de 2024.

    Isso representa um aumento de 37% em relação ao número de vítimas registradas no período dos 12 meses imediatamente anteriores – quando o confronto na Ucrânia, por exemplo, já estava em seu segundo ano.

    Trata-se do maior número de vítimas em conflitos nos últimos anos, um fato agravado ainda pelo altíssimo índice de refugiados e pessoas deslocadas de suas casas por conta das guerras. De acordo com agências da ONU, o mundo tem hoje mais de 43 milhões de refugiados e quase 80 milhões de pessoas deslocadas dentro de seus países.

    O relatório do IISS reconhece a existência de 134 conflitos pelo planeta, dados compilados originalmente pelo Peace Research Institute Oslo – um dos números mais altos dos últimos 30 anos.

    Os conflitos no Oriente Médio, em especial na Faixa de Gaza, foram os principais responsáveis pelo aumento no número de mortos, segundo o IISS.

    Na região do Oriente Médio e Norte da África, o número de mortos em conflitos cresceu nada menos do que 315% em relação aos dados do estudo de 2023.

    Apenas em Gaza, mais de 40 mil pessoas foram mortas por ataques das Forças de Defesa de Israel depois do início do conflito com o Hamas, iniciado com as atrocidades cometidas pelo grupo palestino no início de outubro de 2023.

    No conflito, mais de 90% dos habitantes da Faixa de Gaza foram deslocados e a destruição de casas e apartamentos foi enorme.

    Destruição em Nuseirat, em Gaza, após operação militar israelense • Reuters

    Guerras entre estados

    O IISS destacou ainda duas outras grandes preocupações: o ressurgimento de guerras entre estados nacionais e o aumento da interferência de vários governos em conflitos e guerras civis em outros territórios.

    “Os conflitos entre estados estão mais uma vez em ascensão, com o Oriente Médio no centro da insegurança global. As rivalidades entre aliados ocidentais e seus antagonistas retornaram à geopolítica com força total, com a Rússia particularmente interessada em flexionar seus músculos em áreas ao redor do mundo”, afirma o estudo.

    O IISS destacou três conflitos como os mais preocupantes no ano: as guerras na Ucrânia e em Gaza e também a guerra civil no Sudão.

    “O ano foi definido pela continuação da guerra entre Rússia e Ucrânia, a expansão do conflito em Gaza e a escalada da rivalidade de longa data entre Israel e Irã. O conflito no Sudão também marcou o período do relatório devido ao seu impacto humano”, afirmou o instituto.

    O documento lamenta ainda que a comunidade internacional não mostre força para conter a escalada de conflitos.

    “A crescente fragmentação geopolítica prejudica a legitimidade e a eficácia dos mecanismos estabelecidos de resolução de conflitos: O Conselho de Segurança da ONU tem lutado para cumprir seu papel principal de manter a paz e a segurança globais devido a divisões internas alimentadas pela fragmentação geopolítica. A incapacidade do sistema internacional e de potências ocidentais como os EUA de garantir cessar-fogo em conflitos como os de Gaza e Sudão, ou mediar conflitos domésticos e internacionais, incluindo aqueles na Ucrânia, Etiópia-Somália, RDC-Ruanda e Venezuela tem sido uma característica do período do relatório”, afirmou o documento.

    Os países emergentes, no entanto, também sofreram críticas nesse ponto – entre eles, o Brasil: “enquanto isso, potências geopolíticas emergentes, como os países do Golfo, China, Brasil e Turquia, também falharam em demonstrar maior eficácia em seus esforços de mediação”.

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