ONU está “em alerta” com onda de violência na Cisjordânia, após cessar-fogo
Ataques por parte de Israel ocorrem após acordo de cessar-fogo e libertação de reféns em Gaza
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O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), em Ramallah, informou estar “em alerta” com uma nova onda de violência por parte de Israel e das forças de segurança na Cisjordânia ocupada, após o acordo de cessar-fogo e libertação de reféns em Gaza.
As forças de segurança israelenses atiraram e mataram um menino palestino de 14 anos aparentemente desarmado no domingo (19), segundo o ACNUDH em um comunicado na segunda-feira (20).
O ACNUDH indicou que “dezenas de israelenses” invadiram várias cidades palestinas no domingo, colocando fogo em casas e veículos, bloqueando estradas e atirando pedras.
Seis palestinos ficaram feridos em Sinjil, a nordeste de Ramallah, incluindo três jovens com idades entre 14 e 16 anos, de acordo com o comunicado.
“Além disso, houve aumento de restrições à liberdade de circulação dos palestinos na Cisjordânia, incluindo o encerramento total de alguns postos de controle e a instalação de novos portões, confinando comunidades inteiras”, o comunicado destacou.
O ACNUDH disse que as forças de segurança de Israel fecharam vários postos de controle em Jericó e implementaram “postos de controle voadores” em Tulkarem, com treze novos portões de ferro instalados nas entradas das cidades em toda a Cisjordânia.
“Fecharam, ainda, todas as entradas de Hebron, o que isolou milhares de palestinos das comunidades vizinhas e impediu em grande parte as crianças de frequentarem as escolas e os residentes de trabalharem”, acrescentou.
A CNN entrou em contato com as Forças de Defesa de Israel (FDI) para comentários sobre as alegações.
A declaração do ACNUDH veio após o chefe militar de Israel apontar na segunda-feira (20) para a possibilidade de “operações significativas” na Cisjordânia nos próximos dias.
Entenda os conflitos envolvendo Israel
No final de novembro, foi aprovado um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. Isso acontece após meses de bombardeios do Exército israelense no Líbano.
A ofensiva causou destruição e obrigou mais de um milhão de pessoas a saírem de casa para fugir da guerra. Além disso, deixou dezenas de mortos no território libanês.
Assim como o Hamas, o Hezbollah e a Jihad Islâmica são grupos financiados pelo Irã, e, portanto, inimigos de Israel.
A expectativa é que o acordo sirva de base para uma cessação das hostilidades mais duradoura.
O Hamas e Israel, que realiza intensos ataques aéreos na Faixa de Gaza desde 2023, após o Hamas ter invadido o país e matado 1.200 pessoas, segundo contagens israelenses, concordaram com um cessar-fogo e libertação de reféns em Gaza no domingo (19).
O Hamas não reconhece Israel como um Estado e reivindica o território israelense para a Palestina.
Além da ofensiva aérea, o Exército de Israel faz incursões terrestres no território palestino. Isso fez com que grande parte da população de Gaza fosse deslocada. A ONU e diversas instituições humanitárias alertaram para uma situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza, com falta de alimentos, medicamentos e disseminação de doenças.
Em uma terceira frente de conflito, Israel e Irã trocaram ataques, que apesar de terem elevado a tensão, não evoluíram para uma guerra total.
Além disso, o Exército de Israel tem feito bombardeios em alvos de milícias aliadas ao Irã na Síria, no Iêmen e no Iraque.
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